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Coaf aponta novos repasses de Vorcaro a Dark Horse após data citada por Flávio Bolsonaro
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Um relatório inédito do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), obtido pela revista piauí, indica que os envios de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, superaram o que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou publicamente.

Flávio ao lado de Mario Frias (à esq.), produtor do filme, Jim Caviezel, ator que interpreta Jair Bolsonaro, e Carlos Bolsonaro
Flávio ao lado de Mario Frias (à esq.), produtor do filme, Jim Caviezel, ator que interpreta Jair Bolsonaro, e Carlos Bolsonaro (Foto: Reprodução)

Depois que o Intercept Brasil divulgou conversas entre Flávio e Vorcaro, o senador foi à GloboNews minimizar o áudio em que cobrava recursos para a produção. No fim da entrevista, afirmou que o banqueiro havia interrompido os aportes havia meses, quando as suspeitas sobre fraudes do Banco Master vieram a público.

“Olha só. O último pagamento que ele fez […] foi em maio de 2025”, afirmou.

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A piauí mostra que isso não se confirma. Em 16 de setembro de 2025, Vorcaro transferiu mais uma parcela ao Havengate Development Fund, fundo americano que administrava o dinheiro do filme: 1 milhão, 666 mil e 667 dólares. O depósito ocorreu oito dias após Flávio cobrar as parcelas atrasadas.

Com essa remessa, até então desconhecida, o total enviado por Vorcaro passou de 10,6 para 12,3 milhões de dólares — mais de R$ 65 milhões na cotação da época.

Há indícios de um novo pagamento. Em trecho inédito de WhatsApp de 22 de outubro de 2025, o publicitário Thiago Miranda, que ajudou a captar recursos, escreveu a Vorcaro: “Consegue liberar as parcelas do filme?” E completou: “Se não vai parar tudo por lá 😐.”

O banqueiro respondeu: “Sim. Liberei mais uma hoje”. Miranda retrucou: “Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar tb.” Vorcaro pediu que Miranda apresentasse desculpas a Flávio pelos “atrasos” nas parcelas.

Se essa outra parcela de 1,6 milhão de dólares foi de fato liberada, o total sobe para 14 milhões de dólares, ou cerca de R$ 72 milhões. O acordo conhecido previa 24 milhões de dólares. Com o envio de setembro, são sete parcelas reconhecidamente pagas a mando de Vorcaro a pedido de Flávio. O possível depósito de outubro seria a oitava.

O que disse a campanha

Procurado pela piauí para explicar por que omitiu que a relação financeira se estendeu por praticamente todo o ano de 2025 e qual foi o valor total pago, Flávio não quis falar. A assessoria orientou a revista a perguntar à produtora sobre outros pagamentos.

“Isso não é com a gente.”

Confrontada com o fato de que a nova parcela contradizia a declaração pública do candidato, a assessora manteve que Flávio não tinha o que explicar.

Não é o primeiro desmentido no caso. Em março, quando seu número apareceu na agenda de Vorcaro, Flávio disse à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que nunca tivera contato com o dono do Master. Quando o repórter Thalys Alcântara, do Intercept, perguntou por que Dark Horse fora bancado por Vorcaro, o senador reagiu: “É mentira, de onde você tirou isso?”

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Na mesma entrevista à GloboNews, Flávio afirmou que o Havengate é fiscalizado pela SEC, equivalente americana da CVM. Não é verdade. Disse ainda que o fundo havia sido encerrado assim que surgiram as primeiras suspeitas sobre Vorcaro. Nos registros fazendários do Texas, o fundo permanece ativo.

O caminho do dinheiro

A polícia investiga o percurso dos recursos. O dinheiro não saía das empresas de Vorcaro nem caía diretamente na conta da produtora Go Up Entertainment llc, nos Estados Unidos. Vorcaro remetia os valores por meio do doleiro Antonio Freixo Junior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos e Participações, que já se apresentou como especialista em “câmbio de saída, que é uma coisa mais arriscada”.

O destino era o Havengate, no Texas, administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração — sem atuação no cinema — e amigo de Eduardo Bolsonaro, que também mora no Texas.

As apurações buscam saber se todo o valor chegou à produção ou se parte ficou no fundo ou foi para Eduardo Bolsonaro, que passou a viver nos Estados Unidos em fevereiro de 2025 — o mesmo mês e ano da primeira remessa de Vorcaro ao Havengate, de 2 milhões de dólares, em 13 de fevereiro de 2025.

Até agora, não há evidência de que parte dos milhões tenha financiado a permanência de Eduardo nos EUA. Os investigadores querem esclarecer o papel dele em relação aos recursos. Após a divulgação do áudio de Flávio, em maio, Eduardo minimizou a participação. Na CBN, disse ter investido 50 mil dólares próprios para garantir o diretor e que o valor foi devolvido. Na documentação americana, porém, aparece ora como “produtor executivo”, ora como “financiador”.

A piauí perguntou à Go Up sobre o domínio de Eduardo sobre a conta do Havengate e não obteve resposta objetiva. As investigações lidam com duas caixas-pretas: a do filme e a do fundo.

Com informações da piauí.

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