Um funcionário relatou ter cedido um quarto para um “ministro com 5 meninas” durante festa no triplex de Daniel Vorcaro, em São Paulo, em 28 de fevereiro de 2025. Dias depois, a mulher que intermediou a presença das convidadas cobrou R$ 10 mil e disse que uma delas havia ficado com “Kassio”. As mensagens apreendidas no celular do ex-banqueiro são interpretadas por investigadores da Polícia Federal (PF) e no Supremo Tribunal Federal (STF) como possíveis referências ao ministro Kassio Nunes Marques, que integra as duas cortes e preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Não identificam expressamente Nunes Marques como participante.

Em nota, o ministro afirma que nunca votou a favor de Daniel Vorcaro e que deu voto pela manutenção da prisão, nem trocou mensagens ou pediu algo ao banqueiro. “O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele e não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros”, diz a mensagem.
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Os diálogos detalham a organização do evento: contratação de chef, convocação de mulheres e instruções para recolher os celulares das convidadas. O relatório de despesas registra gastos de R$ 62,3 mil. Às 14h25, o funcionário Gustavo pergunta se deve recolher os aparelhos das garotas de programa chamadas. Vorcaro acompanhou a festa à distância, com atualizações de homens de confiança. Chega a dizer a um amigo, identificado como Luiz Rennó, que estava “fazendo graça pra ministro em SP [sic]”.
Às 20h56, Michael, que pilotava a festa no local, enviou: “Emprestei quarto do lado para ministro com 5 menina. Liguei para pedi autorização mais senhor não viu [sic]”. Em outras conversas no celular, Michael aparece como organizador de eventos considerados VIPs. Às 22h58, voltou a mencionar o convidado: “Ministro tá sem pressa nenhuma de ir embora acabou de fala que está renovando para começa tudo novamente [sic]”. Cerca de 20 minutos depois, às 23h17, informou: “Indo embora ele”.
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As mensagens mostram ainda que Vorcaro havia contratado um chef para servir churrasco a um grupo inicialmente estimado em 15 pessoas. O relatório inclui alimentos, bebidas, insumos e equipe.
Em 3 de março, Rayanna, que intermediou a presença das garotas de programa, procurou Vorcaro para cobrar o pagamento de uma delas. “A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né?”, perguntou. Em seguida, afirmou: “Ela disse que ficou com o kassio” e “Ela tá me cobrando aqui”. Vorcaro pediu os dados para pagamento. Rayanna respondeu que o valor era de R$ 10 mil e que a amiga “ficou com ele”. Os diálogos não esclarecem se houve pagamento nem demonstram, isoladamente, que a pessoa mencionada como “Kassio” seja o ministro Nunes Marques.
Com informações do portal UOL.