Política - -
STF bloqueia R$ 6 bilhões de Willer Tomaz, sócio de Flávio Bolsonaro
Termômetro da Política
Compartilhe:

Em nova desdobramento das investigações que envolvem o advogado Willer Tomaz e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ordenou o bloqueio de até R$ 6 bilhões do defensor. A determinação judicial abarca ainda uma varredura aprofundada nas contas vinculadas à empresa Alcazar Holdings, onde o parlamentar constava cadastrado “como usuário master”, o que configura uma relação de sócios entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro.

Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro mantinham conta conjunta no Santander
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro mantinham conta conjunta no Santander (Foto: Reprodução/X)

A medida foi proferida no âmbito de inquérito que apura a suposta prática de lavagem de capitais. O elo entre os investigados fortaleceu-se após a Polícia Federal (PF) rastrear dados armazenados na nuvem do advogado, localizando correspondência eletrônica que registrava o nome do senador associado ao perfil de gerenciamento da conta.

Favorite o Termômetro da Política no Google e acompanhe as notícias mais importantes para o seu dia

Apesar de declararem publicamente a existência de uma relação de amizade e negarem qualquer sociedade, os indícios colhidos pela PF apontam a divisão de uma conta mantida no banco Santander em nome da Alcazar Holdings, gerida por Tomaz. A apuração incluiu trocas de e-mails entre a secretária do advogado e uma funcionária da instituição financeira, além de registros de reuniões, celebrações, encontros e o custeio de despesas de viagens destinadas ao parlamentar.

Segundo a corporação enviada ao STF, o “perfil de usuário master” concedia uma prerrogativa operacional de grande relevância e alto nível de gerenciamento sobre os ativos. A Polícia Federal assinala que a condição perdurou funcionalmente até 22 de maio de 2025, data em que se formalizou a solicitação para cancelar a permissão vinculada ao e-mail. Para os investigadores, os achados dão sustentação à hipótese de eventual participação econômica ou de fato do senador na empresa.

Medidas Cautelares e Saída do País

Além do bloqueio bilionário, o ministro Alexandre de Moraes decretou a quebra dos sigilos cambial, fiscal e bancário do advogado, bem como das companhias Catedral – Holdings SGPS, Alcazar Brasil Ltda, Alcazar Global Holdings e Alcazar Holdings Unipessoal. O STF impôs o recolhimento e cancelamento dos passaportes de Tomaz — incluindo o documento diplomático —, somado à paralisação das atividades empresariais, financeiras e econômicas do conjunto de suas firmas.

Leia também
Milícias no RJ: entenda o modelo de controle territorial e o porquê de Flávio Bolsonaro ser apontado como miliciano

Foi estipulado o prazo de 24 horas para que as instituições do sistema financeiro remetam os relatórios completos sobre as movimentações e co-titulares — históricos e atuais — ligados às empresas, com destaque para a Alcazar Holding Ltda, Alcazar Holdings Unipessoal e Alcazar Global Holdings.

A decretação das ordens judiciais decorre da constatação de que o advogado se ausentou do território nacional em agosto, após figurar como alvo da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de fraudes no INSS. A Polícia Federal justificou a urgência devido ao risco de destruição de elementos probatórios indispensáveis à apuração, especialmente referentes a entidades e fundos estabelecidos no exterior.

Posição da Defesa

Procurada, a equipe jurídica do advogado contestou o teor das determinações expedidas pela Suprema Corte, classificando as providências de Moraes como “desproporcionais” e argumentando que a interrupção das operações de seus empreendimentos “impõe punição antecipada, sem acusação, processo ou condenação”.

Em nota oficial, a defesa sustentou a ausência de irregularidades:

“A investigação nasceu da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS, com as quais Willer não tem qualquer relação. Sem encontrar nada que o ligasse ao esquema, passou a vasculhar indiscriminadamente sua vida pessoal e profissional em busca de qualquer pretexto para a devassa”

Os defensores também rebateram a existência de acesso compartilhado à conta bancária:

“É falsa a informação de que Flávio Bolsonaro seria “usuário master” de conta da Alcazar. Os dois são amigos, e um nunca movimentou recursos do outro”

Com informações do portal g1.

Compartilhe: