Graduado em Letras e Direito e mestre em Organizações Aprendentes pela UFPB
Graduado em Letras e Direito e mestre em Organizações Aprendentes pela UFPB
Judith
Compartilhe:
(Imagem: Gemini)

Judith com teagá no final.
Era assim que Judith, ou Dona Judith, se marcava.

Chamavam-na também de Pequena. Ou Dona Pequena.
Pequena era inteira:
Filha, irmã, colega, amiga, nora, tia,
Mãe, cunhada, sogra, vó, bisa, vizinha.

Pouco reclamava da vida.
Ria, brincava, mangava de si mesma.
Às vezes, dos outros também.
A sua vida era o dia!

Cabelos lisos, olhos pretos.
Pareciam disfarçar uma tristeza,
Quixoteando suas dores.

Pequena não cabia em suas vestes.
Expandia seu corpo pelo convencimento
No banco da feira, no porta a porta,
Ganhando o pão nosso de cada dia.

Pequena era mulher de um tempo só:
Alargava o presente para o passado
E o esticava para o futuro.

Amava sem titularidade determinada,
Como se o amor fosse um direito difuso.

— Rapaz! Tia Pequena não era pequena.

Compartilhe:
Palavras-chave
literaturapoesia