
Me carregaram da rua João Pessoa
(Que fazia um T com a rua do Rio em Alhandra)
Para a rua do Rio
(Que fazia um S por Cruz das Armas em João Pessoa).
Um salto livre do pequeno
Para o grande urbano.
Maria Monteiro nos dizia:
— Paraíba, capital Paraíba!
Estado e cidade numa palavra só.
Hermafroditamente,
Como rosas e girassóis
Que se multiplicam sem casamentos.
João Pessoa de muitas muriçocas,
Dos rios, das marés, dos mares,
Dos bairros que lembram mangabeiras, ipês, mangueiras…
E também do Geisel, Costa e Silva, Castelo, Médici,
Que não lembram generais.
Assim como João Pessoa
Não lembra coronel,
Desassombrando-se de suas personas:
Pessoa que é personne em francês,
Que pode ser também ninguém.
Paraíba, capital Paraíba!
Como dizia Maria Monteiro…
Que me faz lembrar seus pequenos rios:
Cuiá, Jaguaribe, Gramame, Cabelo.
Suas areias, suas praias, seus mangues,
Sua maresia que toma os corpos por inteiro.
A cidade que nasceu olhando para o ocidente,
De costas para o mar.
Agora olha para o oriente,
De costas para o rio Sanhauá.
E eu arrodeio a cidade toda
Num movimento de rodopio,
Em suas águas salgadas e salobras
E doce também
Como as águas da Lagoa,
Que olha para todos os recantos.
Enquanto sou carregado pelo vento,
A cidade é levada pelo sol!