Gestora de conteúdo, fotógrafa, arteira e apreciadora de um bom café.
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Bom dia, inverno: Tamara Klink, consumo e livros
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(Foto: Instagram/Reprodução)

“Não comprem mais esse livro”, foi o que disse a escritora do livro Bom dia, inverno, Tamara Klink, ao se referir à sua obra. Uma das autoras mais vendidas nos últimos meses, Tamara postou nas suas redes sociais um vídeo que ela mesmo intitulou de polêmico. A defesa de não comprar um livro me suscitou, inicialmente, uma indagação: “Por que ela só não pausa as vendas, já que vendeu suficiente?”, pensei. 

Tamara defende que os livros precisam circular, já que são muitos os exemplares de Bom dia, inverno, em circulação no país. A democratização do acesso aos livros é importantíssima e eu defendo. Imagino que a Companhia das Letras, editora do livro em questão, não seja prejudicada pela ideia de Klink. 

O que me preocupa é se essa moda pega. Tamara tem outras fontes de renda para defender esse ponto de vista? A publicação de um livro movimenta todo um mercado editorial composto por editores, designers, capistas e ilustradores. Tem gente que vive da publicação e venda de livros. 

Bom dia, inverno está na lista dos mais vendidos no Brasil há três meses. A autora não pensou em uma venda limitada de exemplares? É realmente triste que um livro seja lido apenas uma vez e logo depois esquecido em uma estante como decoração, mas há quem acesse inúmeras vezes o mesmo, em diferentes momentos da vida, e quem paga contas dessas vendas.

Aliás, por que o livro Bom dia, inverno ainda está à venda na Amazon, uma vez que a autora pediu para os leitores pararem de comprar os livros?

Outro ponto que a escritora levanta é que existe muito papel e energia gasta da natureza para um livro existir. Me pergunto de quem foi a ideia de publicá-lo inicialmente, se não da autora, que já lucrou por todo esse tempo? Se agora a ideia passou a fazer sentido, a escritora, com sete livros à venda no site da Amazon, vai parar de imprimi-los? 

Ainda que as perguntas sejam muitas, acho a ideia de Tamara interessante. Livro deve ser lido pelo máximo de pessoas. Todos têm direito à leitura, e isso também passa pelo dever do Estado na garantia de livros a todos. 

Atualmente, Bom dia, inverno está em terceiro lugar entre os mais vendidos na Amazon, atrás de A Metamorfose, de Franz Kafka, e Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Em julho, foi o 6º livro mais vendido na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Confira a sinopse do livro:

Durante oito meses, Tamara Klink viveu sozinha num pequeno veleiro preso no mar congelado do Ártico Groenlandês. Depois de uma longa preparação e de atravessar o oceano desviando de icebergs, ela ancorou em um fiorde escuro sem saber se estava pronta para o que iria encontrar.

O que acontece quando ficamos sozinhos, sem ter para quem sorrir? Quando passamos longos dias sem ver o Sol? Quando somos o ser vivo menos apto a sobreviver no lugar onde estamos?

Depois de se tornar a pessoa mais jovem da América Latina a cruzar o Atlântico em solitário, a navegadora e escritora Tamara Klink se lançou numa nova navegação: em vez de atravessar o espaço, dessa vez atravessaria o tempo. Isolada em um fiorde na Groenlândia na época mais fria do ano, ela pôde observar o inverno polar transformar o mar em terra e os dias em noites infinitas.

Em Bom dia, inverno, os leitores são convidados a conhecer de perto os perigos e as alegrias dessa viagem extremamente arriscada. Nessa experiência de isolamento radical, em meio a auroras boreais e visitas inesperadas de raposas, focas e outros animais selvagens, o silêncio se torna palco para reflexões profundas sobre a liberdade, a cultura, o futuro do planeta e o modo como escolhemos viver.

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