No quintal da residência do embaixador Sérgio Danese, no Upper East Side, Lula e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, se abraçaram no começo da tarde e trocaram camisas, do Corinthians e da cidade. Depois de mais de uma hora a portas fechadas, Mamdani disse: “Foi uma honra mostrar a ele como foi uma inspiração para muitos de nós para defender os trabalhadores, os que vivem em dificuldade. O senhor tem sido uma fonte de inspiração para todos nós”. Lula respondeu, em português: “Obrigado”.

O brasileiro repetiu que o prefeito é “muito jovem”, afirmou que “Nova York é a cidade que todo mundo quer conhecer” e perguntou qual o maior problema dali. “O custo de vida”, respondeu Mamdani, eixo da campanha vitoriosa no ano passado. Lula disse não saber se havia “periferia” na cidade. O prefeito: “um em cada quatro nova-iorquinos vive na pobreza”.
Favorite o Termômetro da Política no Google e acompanhe as notícias mais importantes para o seu dia
Diante da imprensa, sem perguntas autorizadas, Lula falou: “Ele é muito jovem. E deve ter uma causa muito forte que o levou a ser prefeito. Ele não pode perder em nenhum momento o discurso que ele fez para ganhar as eleições. Nesse momento histórico, a minha luta é para ver se a gente consegue dignificar a humanidade contra o desprezo e o esquecimento que as lideranças do mundo têm contra o povo pobre”.
Nas redes, o presidente escreveu que os dois “discutiram a importância da defesa da democracia e do enfrentamento ao extremismo e à desinformação no mundo todo” e que convidou Mamdani ao Brasil, sem data. Celso Amorim descreveu o tom como “uma conversa de pai para filho”.
Leia também
Eduardo Bolsonaro é demitido da PF por abandono de cargo
Mamdani chegou às 11h38 de carro, com o vice Dean Fuleihan e assessores. O democrata de 34 anos, socialista nascido em Uganda — o que o impede de concorrer à Casa Branca —, pediu o encontro e é um dos nomes da oposição a Donald Trump. Nesta tarde ele recebe o presidente americano na residência oficial; apesar da rivalidade, a relação é descrita como boa.
Antes, Lula cumprimentou o uruguaio Yamandú Orsi. “Quanta elegância”, brincou, de pé, ao abraçar o aliado, enquanto a direita avança em países como Colômbia e Peru. A reunião durou 50 minutos, sem declaração ao fim. Nas redes, Lula agradeceu o espaço na cota de carne uruguaia do acordo Mercosul-União Europeia e disse querer aprender com o monopólio estatal e o bloqueio de sites de apostas no Uruguai — bandeira dele na reeleição.
Mais cedo, o presidente brasileiro deu cerca de 30 minutos de entrevista a Christiane Amanpour, da CNN Internacional. Do lado de fora, uns dez apoiadores com camisa e bandeira do PT gritavam “Bom dia, presidente Lula”, eco da frase do acampamento em Curitiba durante a prisão na Lava Jato, depois anulada. Ainda hoje ele deve ver Bernie Sanders.
Lula aterrisou no domingo (20) às 18h14, horário local, para abrir amanhã a Assembleia da ONU — a décima vez no púlpito, honraria habitual do Brasil. Multilateralismo e reforma do Conselho de Segurança devem dividir espaço com o combate ao CV e ao PCC e com o recado para força estrangeira ficar fora da eleição de 4 de outubro. Ele e Flávio Bolsonaro, que conta com simpatia em Washington, aparecem empatados nas pesquisas mais recentes.
Espera-se novo esbarrão coreografado com Trump à margem da ONU, como no ano passado. O americano fala depois do brasileiro. O Brasil está sob tarifaço de 37,5%; o Planalto lê ações da Casa Branca como interferência pró-Flávio. Trump também vê Andy Burnham, Sanae Takaichi, Emmanuel Macron e, de forma breve e informal, Delcy Rodríguez. Parte na terça à noite para receber Xi Jinping em Washington na quarta. Lula prevê voltar por volta do meio-dia de terça (22).
Com informações do portal UOL.