Advogado e ex-docente
Advogado e ex-docente
Madison, Aristóteles e Lula
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Retrato de James Madison (Pintura de Gilbert Stuart)

Ninguém duvida que o poder se concentra na política. O dilema é saber como o processo político mediará os interesses de eleitores e das grandes corporações. O desprezo pela democracia é o primeiro sinal da opção pelo segundo contingente em detrimento da sociedade (eleitores).

O desprezo pela democracia procede dos liberais e não é recente. Nos EUA em 1787, James Madison o “ Pai da Constituição” do país de Trump escancarou o dilema. Na Convenção Constitucional daquele ano ele imaginou que, se toda a Inglaterra votasse as pessoas aprovariam leis que minariam o poder e as propriedades dos mais ricos, resultando em injustiça. Para solucionar o impasse, a conclusão foi a de que eles deveriam proteger a minoria rica da maioria.

Aristóteles também havia pensado no impasse, porém afirmou que, na hipótese de incidência de desigualdade significativa, a maioria pobre agiria para retirar as propriedades dos ricos e distribuí-las. O problema é o mesmo com soluções diferentes. Madison pretendeu evitar a democracia ao passo que Aristóteles preconizou a superação das desigualdades.

O Brasil cresce aos solavancos e evolui pouco moralmente. O progresso material conquistado está dominado por uma lógica localizada entre Madison e Aristóteles. Lula, o ungido, ainda aposta no estado social sem uma ruptura no campo interno. No ambiente externo pugna por modelo também sem ruptura, nesse sentido defende uma sociedade internacional também menos desigual.

Dois brasis, o que flerta com Madison e o que teme Aristóteles e odeia Lula!

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