Jornalista, fotógrafo e consultor. Escreve desde poemas de amor a ensaios sobre política. É editor no Termômetro da Política e autor de Emagreça bebendo cerveja. Twitter: @gesteira.
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Daniella precisa dizer se está a serviço da população ou do governo Bolsonaro
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(Foto: Divulgação/Assessoria de imprensa da senadora Daniella Ribeiro)

Foi louvável a iniciativa da senadora Daniella Ribeiro (PP) ao propor a inclusão de grávidas e puérperas no grupo prioritário para vacinação contra a covid-19. São mulheres em situação de vulnerabilidade, com risco maior de internação. A vacinação deste grupo protege a saúde da mãe e também do bebê.

O estranho é que depois de fazer política ao lado do ministro da Saúde e divulgar o elogio à iniciativa, a senadora deixou a proposta de lado. O Ministério da Saúde até havia indicado a vacinação em todo o Brasil, porém, após uma nota técnica que suspende a vacinação com o imunizante da AstraZeneca/Fiocruz, prefeituras por todo o país aproveitaram o embalo e suspenderam também com as outras vacinas. Só grávidas e puérperas com comorbidades estão sendo vacinadas.

Não houve cobrança por parte da senadora ao ministro Marcelo Queiroga, nem aos prefeitos. Daniella poderia ter sido mais incisiva ao menos nas prefeituras em que exerce maior influência política, como em João Pessoa, com seu aliado Cícero Lucena (PP), ou em Campina Grande, onde o filho é vice-prefeito.

O desprestígio junto ao órgão federal por ter sua proposta antes anunciada com tanta ênfase e agora relegada ao descaso é tanto que seu silêncio deixa no ar a desconfiança de que não interessa mexer para não contrariar o governo Bolsonaro.

Vamos à cronologia dos fatos:

No dia da suspensão da vacinação em João Pessoa foram barradas até mesmo grávidas que haviam agendado por meio do aplicativo Vacina João Pessoa, que de acordo com a Prefeitura da capital garante a vacinação. A justificativa da gestão municipal se ampara na nota técnica divulgada pelo Ministério da Saúde, que não proíbe a vacinação com outros imunizantes, assim como não deixa claro que deve ser feita.

Em resposta ao blog, a própria senadora se comprometeu a lutar para que sua proposta voltasse a ser aplicada. Disse ainda que cobrou informações do Ministério da Saúde e que a orientação é vacinar com outros imunizantes.

“A informação repassada pelo Ministério da Saúde é que a imunização de grávidas e puérperas com a vacina da Astrazeneca continua suspensa após um episódio suspeito de morte de gestante. Até que haja definição do que realmente houve, a orientação é que esse público continue a ser vacinado com as demais vacinas disponíveis no Brasil – ou seja, CoronaVac e Pfizer.”

Há gestores acima dessa dissonância cognitiva. Estão de parabéns a prefeita de Bayeux, Luciene Gomes (PDT) e toda a equipe de vacinação do município. Por lá, grávidas e puérperas sem comorbidades estão sendo vacinadas desde o dia 31 de maio. Em São Paulo, o Governo do Estado anunciou a vacinação deste grupo para o dia 10 de junho.

Por outro lado, há quem discuta de quem é a responsabilidade e prefira correr para chegar ao topo do ranking da vacinação no marketing eleitoral que virou o grupo geral por idade, enquanto as grávidas seguem sob risco maior de exposição à covid-19.

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