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Divas do pop adotam estratégia de controle narrativo e reduzem espaço para entrevistas e críticas na imprensa
Termômetro da Política
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Artistas como Anitta e Luísa Sonza têm optado por lançar álbuns com um número reduzido de entrevistas, selecionadas com cuidado, e audições destinadas principalmente a fãs ou a um público previamente alinhado. Essa abordagem, que ganha força no pop nacional, reflete uma tendência observada também em nomes internacionais como Beyoncé e Taylor Swift.

Novo álbum de Anitta foi apresentado em uma sala de cinema em Salvador (Foto: Divulgação)

No caso de Anitta, o novo álbum foi apresentado em uma sala de cinema em Salvador, na Bahia, exclusivamente para admiradores. Luísa Sonza realizou um evento que reuniu jornalistas, influenciadores e fãs, mas com forte presença de quem acompanha sua carreira de perto.

Essa dinâmica tende a gerar uma onda inicial de reações predominantemente positivas, com elogios e adjetivos entusiásticos vindo diretamente dos participantes das audições. Páginas ligadas aos artistas, sejam remuneradas ou não, reforçam esse tom favorável nas redes sociais.

Em contrapartida, análises jornalísticas, que tradicionalmente envolvem tempo para absorver a obra, identificar referências e contextualizar o trabalho, acabam recebendo menos espaço ou acontecendo em condições diferentes.

Ao limitar o acesso antecipado à obra por meio de embargo ou ao priorizar contatos com simpatizantes, os artistas conseguem maior controle sobre a narrativa em torno de seus projetos. Isso também se reflete na escolha de entrevistas: muitas vezes, os questionamentos mais incômodos ou que exigem aprofundamento são evitados.

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Anitta, por exemplo, barrou o jornal “Folha de S. Paulo” de “eventos e entrevistas coletivas” após se irritar com uma pergunta feita por um jornalista do veículo em 2024. Luísa Sonza, ao mesmo jornal, declarou: “Não falo mais com quem me critica, falo com quem me aplaude”.

Ludmilla também enfrentou críticas nas redes por não ter desenvolvido melhor seu último álbum, “Fragmentos”. Em resposta, ela escreveu: “Pessoal, eu tô 100% ciente de que eu devo algumas informações pra vocês, mas muito em breve nós vamos sentar juntos pra eu atualizar vocês!”. Na época do lançamento, a cantora deu raríssimas entrevistas.

Todo artista tem o direito de escolher com quem conversa e em que momento. No entanto, ao reduzir o espaço para o trabalho da imprensa, cria-se uma bolha de aprovação que pode limitar análises mais profundas e múltiplas sobre a obra.

A crítica especializada não tem o papel de ofender ou xingar, mas de oferecer uma visão que dialogue com o trabalho artístico, fazendo perguntas que, por vezes, podem incomodar ou desagradar.

Anitta, em “EQUILIBRIVM”, encontrou uma forma direta de se comunicar com o público ao publicar um faixa a faixa explicando a construção de cada música. São vídeos curtos, na maioria de até 1min30seg, que funcionam como uma explicação didática da obra.

No fim das contas, o importante é que a mensagem chegue de forma sincera, seja por meio de entrevistas tradicionais, conteúdos autorais ou outras formas de interação com o público. A tendência atual mostra que as divas do pop brasileiro estão cada vez mais atentas ao controle da própria narrativa.

Com informações do portal g1.

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