O governo federal enviou ao Congresso Nacional, nesta quarta-feira (15), o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, que estabelece a projeção do salário mínimo em R$ 1.717 para o ano de 2027. Se confirmada, a proposta representa um reajuste de 5,92% em relação ao valor atual de R$ 1.621, o que equivale a um acréscimo de R$ 96. O novo salário mínimo deverá entrar em vigor em janeiro de 2027, com os pagamentos sendo efetuados a partir do mês de fevereiro.

O cálculo para o novo valor segue a política de valorização retomada no governo atual, que soma o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até novembro ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores. Para o reajuste de 2027, será considerado o PIB de 2025, que registrou alta de 2,3%. No entanto, o aumento real acima da inflação está limitado a um teto de 2,5%, conforme regra aprovada pelo Congresso para alinhar o piso salarial aos limites do arcabouço fiscal entre 2025 e 2030.
O salário mínimo serve de referência para a vida financeira de 61,94 milhões de pessoas no país, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Desse total, cerca de 29,27 milhões são beneficiários do INSS que possuem rendimentos atrelados ao piso, além de trabalhadores contratados e beneficiários de programas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
“O peso relativo da massa de benefícios equivalentes a até um salário mínimo é de 46% e corresponde a 70,8% do total de beneficiários, segundo o Boletim Estatístico da Previdência de setembro de 2025”, informou o Dieese no início deste ano.
Instituído em 1936 e completando 90 anos de história, o salário mínimo ainda enfrenta debates sobre o seu poder de compra. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, avaliou em publicação recente que, embora a legislação tenha evoluído, o valor histórico foi corroído.
“Embora definido em 1936 com base nas necessidades alimentares do trabalhador e da trabalhadora, logo se percebeu que a legislação precisava especificar que o salário mínimo deveria ser aplicado a homens e a mulheres, e mais tarde que deveria considerar as necessidades das famílias trabalhadoras. Ao longo dos anos, porém, seu valor veio sendo corroído, atendendo cada vez menos às necessidades básicas do trabalhador e da trabalhadora”, afirmou o ministro.
Apesar da projeção contida no PLDO, o valor definitivo do salário mínimo só será oficializado em dezembro, após a divulgação do INPC consolidado. Economistas alertam que o reajuste real impacta significativamente as contas públicas, gerando pressão sobre os gastos da União e sobre a taxa de juros. O Dieese pondera que, para cumprir integralmente a determinação constitucional de suprir necessidades básicas como moradia, saúde e educação de uma família de quatro pessoas, o valor necessário deveria ser de R$ 7.425,99, montante 4,58 vezes superior ao piso atual.
Com informações de portal g1.