O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos da economia para 14,5% ao ano. A decisão foi tomada por unanimidade e representa o segundo corte seguido, mesmo em meio às incertezas provocadas pela guerra no Oriente Médio, que tem pressionado os preços de combustíveis e alimentos.

A Selic havia permanecido em 15% ao ano de junho de 2025 até março deste ano, o maior patamar em quase 20 anos. O corte anterior ocorreu na reunião passada, em um cenário de alívio na inflação, mas o conflito internacional tem dificultado o trabalho da autoridade monetária.
O Copom está desfalcado. Os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expiraram no fim de 2025, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não enviou as indicações ao Congresso Nacional. Na reunião deste mês, houve mais uma ausência: o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, não participou por causa do falecimento de um parente de primeiro grau.
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Em nota, o Copom informou que está monitorando os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e seus possíveis efeitos sobre a inflação. “Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados”, destacou o comunicado.
A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para controlar a inflação oficial, medida pelo IPCA. A prévia do indicador, o IPCA-15, acelerou para 0,89% em abril. No acumulado de 12 meses, o índice subiu para 4,37%, ante 3,9% em março. O IPCA cheio de abril será divulgado em 12 de maio.
Desde janeiro de 2025, vigora o novo sistema de meta contínua de inflação, definida em 3% ao ano com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (de 1,5% a 4,5%). No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de março, o Banco Central elevou a previsão do IPCA para 2026 de 3,5% para 3,6%. A estimativa será revisada na próxima edição do documento, prevista para o fim de junho.
As projeções do mercado são mais pessimistas. Segundo o boletim Focus, a inflação deve fechar o ano em 4,86%, acima do teto da meta. Antes do agravamento do conflito no Oriente Médio, as expectativas estavam em 3,95%.
A redução da Selic barateia o crédito e estimula a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação. No último Relatório de Política Monetária, o Banco Central manteve em 1,6% a previsão de crescimento do PIB para 2026. O mercado projeta expansão um pouco maior, de 1,85%, de acordo com a última edição do Focus.
A taxa Selic serve de referência para as demais taxas de juros da economia e é usada nas negociações de títulos públicos. Quando reduzida, incentiva o consumo e o investimento, mas exige que a autoridade monetária esteja segura de que os preços estão sob controle.
Fonte: Agência Brasil