Economia - -
Taxas do Tesouro Direto disparam e renovam máximas de 2026 com temores inflacionários
Termômetro da Política
Compartilhe:

As taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto abriram em forte alta nesta segunda-feira (8), com os papéis indexados à inflação de prazos mais longos liderando os ganhos e renovando as máximas do ano. O movimento reflete a continuidade dos temores inflacionários desencadeados pelo forte dado de payroll americano divulgado na sexta-feira e reforçados pelo Boletim Focus, que elevou a projeção da Selic para 13,5% ao ano em 2026 e a estimativa do IPCA para o ano de 5,09% para 5,11%.

Tesouro IPCA+ 2050 foi o destaque da sessão, saltando de 7,19% na sexta-feira para 7,32% (Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo)

O Tesouro IPCA+ 2050 foi o destaque da sessão, saltando de 7,19% na sexta-feira para 7,32%, alta de 13 pontos-base. O IPCA+ 2060 com juros semestrais subiu de 7,43% para 7,53%, enquanto o IPCA+ 2040 avançou de 7,54% para 7,64%, com ganho de 10 pontos-base. No trecho mais curto, o IPCA+ 2032 acelerou acima de 8%, chegando a 8,28%.

Nos prefixados, a variação foi mais moderada, indicando que a pressão desta abertura se concentra nas expectativas de inflação de longo prazo. O Tesouro Prefixado 2029 passou de 14,69% para 14,72%. O Prefixado 2032 subiu de 14,68% para 14,70%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi de 14,72% para 14,74%.

Leia também
Governadores elevam gastos e projeção aponta déficit de R$ 6 bilhões para estados em ano de eleição

A assimetria entre o forte movimento nos IPCA+ longos e a relativa estabilidade dos prefixados sinaliza que o mercado incorpora na ponta longa da curva um risco inflacionário mais duradouro. Esse cenário é alimentado pela combinação do payroll robusto nos Estados Unidos, pela pressão sobre o petróleo em meio à instabilidade no Oriente Médio e pela divulgação do IPCA brasileiro prevista para esta semana.

O consultor sênior da ZERO Markets Brasil, Otávio Araújo, destaca o papel do IPCA local como contraponto importante: “O IPCA no Brasil entra como contraponto local importante, pois o mercado vinha elevando a projeção de inflação para 2026, o que reforça a leitura de juros domésticos ainda pressionados e reduz espaço para alívio no curto prazo”.

O economista do ASA, Leonardo Costa, observa que o IPCA de maio deve trazer alguma desaceleração, mas alerta: “o balanço qualitativo da inflação segue deteriorado, com pressões persistentes em serviços e bens industrializados, reforçando um cenário preocupante para inflação no curto prazo”.

Com informações do portal InfoMoney.

Compartilhe:
Palavras-chave
tesouro direto