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Escândalo com Daniel Vorcaro arrasa campanha de Flávio Bolsonaro e abre espaço para outros nomes na direita
Termômetro da Política
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A revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, gerou desgaste político e impactou diretamente sua pré-campanha à Presidência da República. A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (22) mostra o impacto causado na corrida eleitoral: Lula ampliou a vantagem de três para nove pontos. O estrago é tamanho que, seguindo a tendência da conjuntura política, o instituto testou pela primeira vez desde o lançamento da pré-campanha um nome em substituição ao senador.

Mário Frias, Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel
Mário Frias, Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel (Foto: Reprodução)

O caso, revelado pelo site Intercept Brasil, colocou sob holofotes a relação entre o pré-candidato e o dono do Banco Master, instituição financeira liquidada pelo Banco Central após investigações da Polícia Federal.

Segundo as mensagens e áudios divulgados, Flávio Bolsonaro manteve contato direto com Vorcaro para cobrar repasses destinados à produção do filme. O banqueiro chegou a transferir cerca de R$ 61 milhões ao projeto, parte de um valor maior que teria sido negociado. A Polícia Federal investiga se parte desses recursos pode ter sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, algo negado pelo ex-deputado.

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O episódio provocou uma queda no desempenho de Flávio nas pesquisas de intenção de voto. Levantamentos divulgados após a divulgação das conversas mostraram recuo do senador em relação a Lula e também em relação a outros possíveis candidatos da direita. Em alguns cenários, nomes como Romeu Zema e Ronaldo Caiado passaram a aparecer com mais força entre eleitores de direita insatisfeitos com o desgaste do caso.

Além da perda de fôlego nas pesquisas, o escândalo gerou desconforto entre aliados e dificultou a narrativa de Flávio como alternativa viável e “limpa” dentro do campo bolsonarista. Parlamentares do PL e apoiadores do ex-presidente demonstraram preocupação com o efeito das revelações sobre a imagem do senador, especialmente em um momento em que ele buscava consolidar sua candidatura.

Flávio Bolsonaro reconheceu ter pedido recursos a Vorcaro, mas afirmou que se tratava de patrocínio privado para um filme privado e negou irregularidades. Ele também admitiu ter se reunido com o banqueiro após a primeira prisão de Vorcaro, quando ele já usava tornozeleira eletrônica, para tentar resolver pendências do projeto cinematográfico.

O caso ainda está sob investigação da Polícia Federal e do Ministério Público, com foco nas origens dos recursos e na possível utilização de estruturas do Banco Master para financiar o filme. Enquanto isso, o desgaste político segue sendo sentido na campanha de Flávio, que perdeu parte do protagonismo que tinha antes das revelações e enfrenta agora um cenário mais competitivo dentro do próprio campo da direita.

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