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Escolha de Gaspar para vice amplia irritação de aliados com Marinho após reveses no Centrão
Termômetro da Política
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A indicação do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) para a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) aumentou a irritação de uma ala do partido com o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN). Responsável pelas principais articulações partidárias do presidenciável, Marinho já vinha sendo cobrado por chegar ao fim das convenções sem atrair uma nova legenda para a coligação e, consequentemente, sem ampliar o tempo de televisão do PL.

Senador Flávio Bolsonaro e deputado Alfredo Gaspar
Senador Flávio Bolsonaro e deputado Alfredo Gaspar (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

O desfecho da escolha da vice acrescentou um novo componente a esse desgaste. Marinho chegou a ser considerado uma das alternativas depois que fracassaram as tentativas de Flávio de buscar uma mulher de outro partido para a chapa. Seu nome, no entanto, enfrentou resistência de uma ala ligada ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Aliados de Eduardo atuaram para evitar a escolha, por considerar que dar ainda mais protagonismo ao coordenador poderia abrir uma nova frente de fogo amigo na direita.

A opção por Gaspar, anunciada nesta quarta-feira, afastou esse risco, mas reforçou entre críticos de Marinho a avaliação de que o coordenador termina o período de convenções com um saldo aquém do esperado nas articulações políticas. O deputado alagoano recebeu o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro e foi escolhido em negociação restrita a Flávio, Valdemar Costa Neto e ao próprio Marinho. As conversas avançaram apenas nesta semana, e o anúncio foi organizado de última hora.

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Ficar fora da vice, porém, não representou propriamente uma derrota para os planos pessoais de Marinho. O senador não demonstrava grande disposição. Sua prioridade é renovar o mandato e, numa configuração favorável da Casa em 2027, disputar a presidência do Senado.

Sem segundo a mais de TV

A principal cobrança sobre Marinho está justamente na função que desempenha desde que assumiu a coordenação da campanha. O senador passou a ocupar posição central na interlocução com dirigentes de outras legendas e recebeu a missão de construir uma coalizão capaz de levar Flávio para além do núcleo bolsonarista.

O período de convenções terminou, no entanto, sem que uma nova sigla fosse incorporada. Reservadamente, um dirigente do PL resume a insatisfação afirmando que, apesar dos meses de negociação, Marinho “não conseguiu um segundo a mais de tempo de TV” para Flávio.

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O resultado terá efeito concreto na campanha. Sem aliados, Flávio deverá dispor de aproximadamente 4 minutos e 20 segundos em cada bloco da propaganda eleitoral, segundo projeção do GLOBO com base nas regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lula, sustentado por uma coligação mais ampla, terá cerca de 5 minutos e 32 segundos.

As sucessivas negativas frustraram a expectativa de dirigentes do PL de que Marinho pudesse usar sua experiência e trânsito com outras siglas para ampliar a coalizão. Também fizeram com que a campanha abandonasse a estratégia de usar a vice como instrumento para incorporar outro partido e, na reta final, concentrasse a busca em nomes da própria legenda.

Foi nesse cenário que o próprio Marinho apareceu entre as alternativas. Para seus defensores, havia a vantagem de já integrar o núcleo central da campanha e ser um dos principais interlocutores políticos de Flávio. A hipótese, no entanto, esbarrou na resistência da ala ligada a Eduardo e no próprio projeto eleitoral do senador.

Gaspar acabou surgindo como uma saída capaz de evitar essa disputa interna. Além de não enfrentar a mesma resistência, o deputado chegou à reta final em alta por sua atuação como relator da CPI do INSS. A campanha pretende explorar seu trabalho na comissão para reforçar a ofensiva contra o governo Lula, enquanto sua trajetória como promotor de Justiça e secretário de Segurança Pública de Alagoas será usada para dar peso à bandeira da segurança.

Negativas em sequência

Uma das principais apostas de Marinho para ampliar a coligação havia sido a federação União Progressista. Flávio chegou a convidar Tereza Cristina (PP-MS) para integrar a chapa, e a senadora demonstrou disposição para aceitar. O PP, porém, consultou seus diretórios estaduais e decidiu manter a neutralidade. O União Brasil também não aderiu à candidatura.

O Republicanos representou outro revés. Na segunda-feira, Marinho participou, ao lado de Flávio e Valdemar, de uma reunião com o presidente da legenda, Marcos Pereira, numa última tentativa de reverter a tendência de neutralidade. A campanha usou inclusive o desempenho de Flávio nas pesquisas como argumento de que o partido poderia embarcar numa candidatura competitiva.

A investida não prosperou. Dos 27 diretórios estaduais consultados pelo Republicanos, 17 defenderam a neutralidade, nove o apoio a Flávio e um a Lula. A decisão também inviabilizou a indicação de Daniella Marques, uma das opções do presidenciável para a vice.

O Podemos foi procurado na reta final. A presidente da legenda, Renata Abreu, chegou a ser sondada por interlocutores de Flávio, mas o partido igualmente optou por não integrar formalmente a coligação.

Com informações de O Globo.

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