No Rio Grande do Norte, PT e PL se juntaram para cobrar Allyson Bezerra (União Brasil), líder das pesquisas ao governo e alvo da operação Mederi. A suspeita é de propina de empresa de medicamentos. Cadu Xavier, o Cadu de Lula (PT), e Álvaro Dias (PL) disputam com ele o segundo turno.

Um vídeo do inquérito da PF, gravado com autorização judicial, pegou dois sócios da Dismed Distribuidora de Medicamentos falando em 15% dos contratos para Allyson e 10% para uma “Fátima” — que a polícia associa a uma comissionada da Prefeitura de Mossoró. “Nós temos de pagar R$ 100 mil a Allyson e Fátima”, diz um deles.
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Allyson tinha o favoritismo e o apoio do vice da governadora Fátima Bezerra, Walter Alves (MDB), filho de Garibaldi Alves, que rompeu com o PT e impediu a governadora de renunciar para ir ao Senado. O calo é a investigação: busca e apreensão em janeiro, quando ainda era prefeito de Mossoró. A PF fala em desvio na saúde e numa “matemática da propina”. Ele sempre negou.
No debate da TV Ponta Negra, na sexta, voltou a recusar fraude e acusou os rivais de “tumultuar”. “Querem esconder que eles não têm proposta e não têm preparo para governar.”
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“Depois de oito meses, o que é que encontraram numa investigação? Nada! Sabe por quê? Porque não existe. E mais: o meu celular está aberto para a Justiça. Há oito meses, eu pedi que o processo deixasse de ser em segredo de Justiça e passasse a ser aberto. Eu quero muito que fique aberto. Sabe por quê? Porque eu tenho consciência tranquila. Eu sei da minha criação, eu sei dos meus princípios.”
Álvaro Dias: “Ele foge do assunto, tergiversa, escorrega, mas não responde do assunto. Essa é a estratégia dele”. Cadu cobrou: “Diga quem é a Fátima”.
A escuta ambiental no escritório da Dismed gravou o sócio Oseas Monthalggan Fernandes Costa sobre a “matemática de Mossoró”. Depois de citar ordem de compra de R$ 400 mil, o interlocutor descreve a partilha: “Desses 400 [mil], ele entrega 200 [mil]. Dos 200, ele vai e pega 30%, 60, então aqui ele comeu 60 [mil]”.
A PF reforça a tese com a “proximidade política” entre empresário e prefeito e uma foto nas redes. “Durante a captação ambiental, seu nome foi mencionado pelos sócios Oseas e Moabe acerca de esquemas de pagamentos de propina envolvendo contratos com a prefeitura de Mossoró”.
De 2021 a 2025 a Dismed recebeu cerca de R$ 13,5 milhões da prefeitura em medicamento. “O volume de recursos públicos envolvidos, somado ao volume de dinheiro em espécie sacado pelas empresas, por si só, já constituiria circunstância digna de suspeita acerca da licitude da relação mantida com o ente municipal”.
À época da operação Allyson gravou vídeo falando em fatos de 2023. “Agora, ano eleitoral e em que o nome da gente aparece na primeira posição, nosso nome foi citado e houve essa investigação. Vou enfrentar com muita fé, coragem e integridade de entregar tudo o que me for solicitado. Faço questão de que toda investigação seja conduzida com total rigor da lei. Confio na Justiça”.
Com informações do portal UOL.