Em São Paulo, no primeiro pronunciamento depois de ser reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a eleição lhe ensinou lições e que o governo passará a operar de forma diferente. Com a totalização de 100% das urnas, ele somou mais de 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.

Lula afirmou que fará o povo participar mais das decisões e que a comunicação digital ocupará espaço muito grande no novo governo. Agradeceu o trabalho de articulação do deputado André Janones (Rede-MG) nas redes no segundo turno e anunciou que passará a falar diretamente com os brasileiros várias vezes por dia. “Daqui para a frente, vou conversar com o povo brasileiro muitas vezes por dia direto. Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalista com má-fé. Vou dizer o que penso, o que faço”, disse.
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Na área econômica, o presidente reeleito colocou a economia digital como um dos eixos centrais. Disse que o Brasil deve aproveitar sua capacidade de energia renovável para atrair datacenters e exigir que parte da infraestrutura fique disponível para dados brasileiros. Também prometeu desenvolver uma inteligência artificial nacional.
Na educação, anunciou a universalização da escola integral até o ensino médio, o reforço do programa Pé-de-Meia para o ensino médio e sua expansão para universitários, além de maior ênfase em ciências exatas. “Queremos ensinar mais matemática, mais engenharia porque não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa e americana. Quero criar uma [inteligência artificial] brasileira”, declarou.
Sobre as grandes empresas de tecnologia, Lula afirmou que, diante das interferências nas eleições brasileiras, é necessário regulá-las. “Vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime da vida real”, declarou. Acrescentou que não se pode permitir que empresas monstruosas e grandes ganhem bilhões sem pagar imposto no país e tentem direcionar o resultado eleitoral.
Na saúde, o presidente disse que uma das motivações da campanha foi impedir a privatização do SUS e que o sistema continuará sendo modernizado, com ênfase no tratamento de câncer. “Vamos continuar fazendo a revolução do SUS. Estou convencido que o Brasil será o país com o maior percentual de tratamento de câncer do mundo”, afirmou. Destacou o hospital inteligente em parceria com a USP, financiado pelo Banco do Brics, e anunciou a criação de 15 UTIs inteligentes “para não permitir que as pessoas não morram por falta de tratamento por tempo”.
Na segurança, Lula defendeu a federalização do tema, sem citar nominalmente a PEC em tramitação no Senado. Segundo ele, a Constituição de 1988 transferiu toda a responsabilidade aos estados e “agora está provado que os estados não dão conta”. “Vamos entrar para devolver às mulheres, aos homens e aos trabalhadores a tranquilidade e a paz [de] que eles precisam. Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão”, concluiu.
O discurso também reafirmou investimentos na preservação do meio ambiente e a cobrança pela aprovação da PEC da Segurança, em linha com a promessa de alterar o jeito de governar o país e ampliar a participação popular nas decisões.
Fonte: Agência Brasil