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Perícia particular aponta estrangulamento com fio de fone de ouvido e contradiz laudo oficial de suicídio de PC Siqueira
Termômetro da Política
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Uma perícia técnica encomendada pela família do influenciador digital Paulo Cezar Goulart Siqueira, conhecido como PC Siqueira, concluiu que ele foi assassinado por estrangulamento com um fio fino de fones de ouvido dentro do apartamento onde morava, na Zona Sul da capital paulista. O laudo particular, elaborado em março de 2026, diverge dos exames oficiais do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC), que em 2025 apontaram suicídio por enforcamento com uma cinta de catraca.

Ministério Público determinou que a Polícia Civil encaminhe o fio dos fones de ouvido ao IML e ao IC para nova análise (Fotos: Divulgação)

O perito particular Francisco João Aparício La Regina, ex-perito da Polícia Técnico-Científica e professor por 30 anos, elaborou um parecer de 48 páginas no qual afirma que a asfixia não foi provocada por enforcamento. Segundo o documento, as marcas no pescoço de PC Siqueira são compatíveis com um fio preto de fones de ouvido encontrado no apartamento. O material foi recolhido posteriormente pelos advogados da família, Caio Muniz e Geraldo Bezerra da Silva Filho, e entregue ao 11º Distrito Policial, em Santo Amaro.

A perícia particular destaca que o padrão e a largura das lesões seriam incompatíveis com a cinta de catraca laranja, mais larga, que foi o único objeto apreendido inicialmente pela perícia oficial.

Diante da divergência entre o laudo oficial e o parecer particular, o Ministério Público determinou que a Polícia Civil encaminhe o fio dos fones de ouvido ao IML e ao IC para nova análise. Como a morte ocorreu há mais de dois anos, não será possível realizar a exumação do corpo. Os peritos oficiais farão a comparação com base em fotografias tiradas na época da perícia inicial. O novo laudo ainda não foi concluído.

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A investigação da Polícia Civil, que apura o caso desde dezembro de 2023, continua em andamento. No fim de 2025, a Justiça determinou a continuidade das apurações após pedido do Ministério Público, que apontou dúvidas nos laudos oficiais e contradições em depoimentos. Com isso, a polícia passou a investigar outras hipóteses, como instigação ao suicídio, homicídio com simulação de suicídio e omissão de socorro. Pessoas próximas ao influenciador podem ser investigadas, mas até o momento não há suspeitos formalmente identificados.

A ex-namorada de PC Siqueira, Maria Luiza Lopes Watanabe, foi ouvida como testemunha e relatou à Polícia Civil que tentou salvar o influenciador, mas não conseguiu. Ela afirmou que saiu do apartamento gritando no corredor e pedindo ajuda. Uma vizinha disse que ouviu os gritos, encontrou PC enforcado com a cinta laranja, ligou para a Polícia Militar e cortou o objeto com uma faca na tentativa de socorrê-lo.

A Polícia Técnico-Científica realizou uma reconstituição dos fatos em 20 de janeiro de 2026, no prédio onde PC morava, no Campo Belo. Maria Luiza não participou, alegando motivos pessoais. Em 30 de janeiro de 2026, ela e a vizinha participaram de uma acareação por videoconferência sobre o horário do pedido de ajuda.

Amigos relataram à polícia que o relacionamento era marcado por discussões, algumas transmitidas ao vivo nas redes sociais. Um amigo afirmou que se relacionou com a ex-namorada após o término, o que teria irritado o influenciador.

A advogada de Maria Luiza Lopes Watanabe, Clarissa Azevedo, divulgou nota neste mês afirmando: “A defesa acompanha a investigação com tranquilidade e confia no trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos. Ressalta, ainda, que o inquérito tramita sob sigilo, razão pela qual manifestações públicas devem ser feitas com cautela. A posição da defesa é clara no sentido de que não há elementos técnicos ou probatórios que sustentem a atribuição de responsabilidade à Sra. Maria Luiza pelos fatos investigados. Nesse sentido, importa destacar que, até o momento, não há qualquer acusação formal ou imputação concreta contra a Sra. Maria Luiza, no âmbito de investigação que, inclusive, conta com laudos oficiais apontando morte por enforcamento. Destaque-se que estes laudos oficiais são elaborados pelos órgãos do Estado, sendo exames realizados com critérios técnicos, imparcialidade e controle institucional. Já eventuais pareceres particulares, ainda que possam ser juntados aos autos, são produzidos por profissionais contratados por uma das partes, razão pela qual não possuem o mesmo grau de imparcialidade da perícia oficial. Observa-se, por fim, que parte das acusações se apoia em relatos indiretos e versões que apresentam divergências entre si, sem respaldo nos elementos constantes dos autos, o que já vem sendo esclarecido pela defesa ao longo da investigação.”

PC Siqueira foi um dos pioneiros do YouTube no Brasil e também apresentou programas na MTV. Antes da morte, ele era alvo de investigação por suspeita de divulgação de imagens de abuso sexual infantil, aberta após vazamento de mensagens privadas em 2020. Laudos posteriores não encontraram esse tipo de material nos computadores apreendidos. Ele sempre negou as acusações. Em junho de 2024, o caso foi relatado por extinção da punibilidade devido à morte do influenciador.

A família de PC Siqueira agradeceu as manifestações de solidariedade após a morte e informou que está produzindo uma série documental sobre a trajetória dele.

Com informações do portal g1.

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