
Foi com grande surpresa que me deparei ontem com o relato da ex-prefeita de Conde, Márcia Lucena, por quem tenho carinho e admiração. Ela publicou uma reflexão em seu perfil na rede social Instagram na qual diz sentir medo de que o Partido dos Trabalhadores na Paraíba se acabe e “vá definhando, definhando, e desapareça do nosso território”.
É um relato muito justo. Seria pertinente, até, se não estivesse desconectado da realidade. A reflexão de Márcia parece ter sido feita sob o viés cristão neopentecostal, onde todos os erros do passado são remidos e lavados pelo sangue de Jesus e em nada influenciam o presente e o futuro.
Para Márcia, que chegou há pouco no PT da Paraíba, é normal não perceber que o partido está no melhor momento de sua história, sob condução forte e corajosa. Porém, justamente por ter vindo há pouco, é importante entender como o partido chegou até aqui.
Não foram os petistas que hoje lutam para defender o partido que trabalharam para definhar e acabar com tudo. Márcia fala em “covardia disfarçada de preocupação e responsabilidade”, mas na eleição de 2000, diante da oportunidade de enfrentar Cícero Lucena, não foram os petistas de hoje que se acovardaram. Quem viu as pesquisas, tinha chance de se lançar na majoritária e usou a tática da covardia disfarçada foi outro. O mesmo que, quatro anos depois, descumpriu o acordo feito em 2002 pelo sacrifício eleitoral de Avenzoar Arruda e traiu o partido. Naquela conjuntura, o PT tinha tudo para fazer um prefeito e continuar crescendo. Perdeu para a traição, para o ego da construção pessoal e para a covardia disfarçada de preocupação e responsabilidade.
Para que não falte a oportunidade de mostrar coragem, há alguém hoje no PT disposto a abrir mão de um caminho mais seguro para a Câmara dos Deputados e lançar candidatura própria a governador como fez Avenzoar?
É muito fácil citar o exemplo do PSB da Paraíba sem contextualizar a debandada da qual a própria Márcia e seu grupo fizeram parte. Ou ela foi prefeita de Conde pelo PT? Por que não ficaram lá para lutar pelo partido e ajudar a reconstruir o PSB? É coincidência o mesmo mal que tentou destruir o PT no passado também ter sido protagonista na desconstrução do PSB?
É passado, e se vieram para o PT, sejam bem-vindos. Estamos do mesmo lado. E como bem diz nosso líder maior, o presidente Lula, o momento é de união e reconstrução.