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Morre aos 104 anos o filósofo francês Edgar Morin, referência para pesquisadores brasileiros
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O filósofo, antropólogo e sociólogo francês Edgar Morin morreu aos 104 anos. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (29), embora ainda não haja detalhes confirmados sobre o local ou a causa da morte. Pesquisadores brasileiros manifestaram profundo pesar pela perda do intelectual que influenciou gerações com suas reflexões sobre complexidade, humanismo e resistência.

Edgar Morin durante evento do Fronteiras do Pensamento São Paulo, em 2011  (Foto: Divulgação/Fronteiras do Pensamento)
Edgar Morin durante evento do Fronteiras do Pensamento São Paulo, em 2011 (Foto: Divulgação/Fronteiras do Pensamento)

A Multiversidad Mundo Real Edgar Morin, instituição internacional sediada no México dedicada à difusão de seu pensamento, emitiu nota lamentando o falecimento. “Com profundo respeito e gratidão, lamentamos o falecimento de Edgar Morin, um pensador universal, mestre da complexidade e guia humanista para nossa comunidade acadêmica. Seu trabalho perdurará em cada esforço para reconectar o conhecimento, compreender a condição humana e pensar o mundo a partir de uma perspectiva integrativa”, afirma o texto.

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Izabel Petraglia, fundadora do Centro de Estudos e Pesquisa Edgar Morin, relatou durante evento de homenagem que o pensador enfrentava infecções nos últimos dias. “Hoje é um momento de tristeza para nós, nosso mestre de uma vida inteira. Edgar Morin passou os últimos quinze dias com infecções variadas. Foi assim que nós fomos notificados. Ele não teve mais força física para lutar”, disse Petraglia.

Morin nasceu em Paris, em 1921, e completaria 105 anos no próximo dia 8 de julho. Autor de mais de 30 livros, ele publicou a obra “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro” em parceria com a Unesco.

A historiadora e antropóloga Lilia Schwarcz prestou homenagem destacando a trajetória do pensador. “Ele até atravessou o século que lhe foi dado viver como um cometa. Ele era filósofo, sociólogo, participou da resistência francesa durante a Segunda Guerra tendo combatido o nazismo, e, ao longo de sua trajetória intelectual e política, tornou-se também um crítico firme do stalinismo e de todas as formas autoritárias de poder. Dedicou sua vida a combater uma das maiores ilusões da modernidade: a ideia de que o mundo pode ser compreendido por partes isoladas”, disse ela.

Morin atuou na Resistência Francesa durante a ocupação nazista e adotou o sobrenome Morin enquanto vivia na clandestinidade. Seu nome de batismo era Nahoum.

O Centro de Estudos e Pesquisa Edgar Morin, sediado no Brasil, também divulgou nota de pesar. “Amigos/as, com muita tristeza, comunicamos o falecimento de nosso querido amigo, mestre e presidente de honra, Edgar Morin”, lamentou a instituição.

Professores da Universidade de São Paulo também expressaram consternação. O professor Pedro Jacobi, do Instituto de Energia e Meio Ambiente da USP, declarou: “É uma notícia muito triste! Uma referência importante na minha vida acadêmica”.

Com informações da CNN.

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