O bloqueio naval anunciado pelos Estados Unidos para impedir o tráfego de embarcações ligadas ao Irã começa nesta terça-feira (14). A operação, segundo a Marinha americana, terá início às 17h pelo horário de Brasília e se estenderá a toda a costa iraniana. A medida entra em vigor um dia depois de o presidente Donald Trump declarar que os EUA assumiriam o controle do Estreito de Ormuz. Em publicação na rede Truth Social, ele afirmou que o país será o “guardião do Estreito de Ormuz” e cobrará 20% sobre toda carga transportada pela rota.

“O Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá aberto, com ou sem o Irã. Estamos restabelecendo o bloqueio iraniano, assim denominado porque impede apenas a entrada e saída de navios ou clientes iranianos”, escreveu Trump. “Todos os outros países terão uso livre e irrestrito do Estreito. Os EUA serão, a partir deste momento, conhecidos como ‘o guardião do Estreito de Ormuz’, mas, como tal, e por uma questão de JUSTIÇA, serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo.”
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Em entrevista à emissora Fox News, o presidente americano disse que os EUA serão “os guardiões do estreito” e que devem ser “reembolsados” pela segurança da região. “Vamos manter o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos chamá-lo de anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso.”
A Marinha americana informou que o “trânsito neutro” e as embarcações com ajuda humanitária continuarão liberados. Todos os navios, no entanto, passarão por inspeções militares. O bloqueio agora abrange toda a costa iraniana, com o objetivo de reprimir o tráfego de embarcações que saírem de qualquer porto ou terminal petrolífero do país.
O anúncio contrasta com o acordo de paz firmado entre Estados Unidos e Irã em junho, que previa o fim do bloqueio naval na entrada do estreito. Na ocasião, Trump havia afirmado que não haveria cobrança de pedágio sobre as cargas.
O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela região.
O memorando de paz assinado entre os dois países previa a reabertura da via marítima sem cobrança durante 60 dias, período em que Irã, Omã e países do Golfo negociariam um modelo para a administração futura da passagem.
O Irã reagiu à declaração de Trump. O comando militar iraniano afirmou que “não permitirá que os EUA intervenham na administração” do Estreito de Ormuz. “Qualquer tentativa dos EUA de transitar pelo estreito sem a autorização iraniana será fortemente contestada”, diz o comunicado. “Aos líderes dos países da região, qualquer cooperação com os EUA será considerada guerra contra o Irã.”
A Guarda Revolucionária iraniana também afirmou que mantém sua “autoridade e controle sobre o Estreito de Ormuz”. “Ao interferir no Estreito de Ormuz, os EUA colocaram em sério risco a segurança do fornecimento global de petróleo e gás”, declarou o porta-voz.
Segundo o Irã, o estreito voltou a ser fechado no sábado (11), após os Estados Unidos anunciarem ataques a 140 alvos militares iranianos em 24 horas, totalizando mais de 300 em três noites de ofensiva. O Comando Central dos EUA informou que a ação visava retaliar ataques iranianos contra embarcações na região. A Guarda Revolucionária confirmou ter disparado tiros de advertência.
“Várias embarcações tentaram seguir uma rota não autorizada e ignoraram nossos avisos e sinais. Uma embarcação que comprometeu a segurança marítima ao desativar seus sistemas foi atingida por tiros de advertência e detida”, afirmou o grupo. “O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até segunda ordem e até a conclusão das operações dos EUA na região. Nenhuma embarcação terá permissão para passar.”
Com informações do portal g1.