A primeira-dama do Estado, Camila Mariz, prestigiou o espetáculo “Do silêncio à voz” e participou de uma roda de diálogo, na noite desta quarta-feira (17), no Teatro Paulo Pontes, no Espaço Cultural, em João Pessoa. O espetáculo em homenagem aos 43 anos do caso da ativista Maria da Penha Maia Fernandes, que estava na plateia, aborda a questão do combate à violência contra as mulheres e a importância da denúncia e punição dos agressores.

Maria da Penha é considerada um símbolo nacional da luta pelos direitos das mulheres e inspiração para a criação da Lei nº 11.340/06, que este ano completa 20 anos de vigência.
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“O que a gente quer é respeito e igualdade de oportunidades para todas as mulheres. Isso a gente não abre mão. Ter Maria da Penha com a gente é a materialização de uma luta. Olhar para a sua história é saber que a minha história também vai ter espaço e vai ter acolhimento, é isso que temos buscado fazer enquanto gestão. Eu não sabia o que era um pai, eu vim saber o que é um pai quando vi meu marido sendo pai dos meus filhos. Eu agradeço por existirem homens como Lucas e quero dizer que vocês homens podem fazer a diferença”, concluiu.
“Eu fui vítima de violência e, na época, não entendia que eu era vítima de uma violência que já existia. Quando começou a ter a visibilidade sobre a violência doméstica no país, eu tive apoio dos movimentos de mulheres da minha cidade, porque se eu não tivesse sido apoiada, eu não teria forças para lutar. Foi quando eu me introduzi nesse movimento. Aquela mulher que não recebe orientação, apoio, inclusive até físico, para acompanhá-la a uma instituição ou uma delegacia, sozinha ela não resolve. Cumprir a lei é o essencial, não precisa endurecer, porque a lei já é completa. Agora é preciso haver celeridade no julgamento dos casos e mais respeito com a mulher”, enfatizou Maria da Penha.
A secretária de Desenvolvimento Humano, Neide Nunes, afirmou que esse evento é uma ação que busca conscientizar a sociedade e incentivar o cumprimento da lei. “Estamos aqui por tantas mulheres que passam ou passaram por episódios de violência. Não basta apenas que a mulher tenha uma rede de proteção, ela precisa se sentir segura para denunciar e seguir em frente. Maria da Penha é um farol para todas as mulheres que sofrem, mas que pensam que elas também podem se livrar da violência. Precisamos ainda que, além das mulheres, os homens vistam essa camisa contra a violência e denunciem”, frisou.
Para a secretária da Mulher e da Diversidade Humana, Vanda Menezes, o evento é de extrema relevância para o fortalecimento de políticas públicas de combate à violência contra a mulher.
“Foi um dia de muita emoção. Muitas mulheres acham que a Maria da Penha não está mais entre nós e é muito importante que elas a conheçam e saibam o que ela representa para as mulheres brasileiras. A forma como ela tratou a dor e transformou em luta é um exemplo de resistência e de coragem para seguir depois de duas tentativas de feminicídio. É muito valioso trazer Maria da Penha para a Paraíba para eventos como esta noite de autógrafos do seu livro e para prestigiar essa peça. As estruturas de políticas públicas para as mulheres hoje existentes no país, principalmente em relação ao combate à violência, a gente deve a esta mulher fantástica que é Maria da Penha”, pontuou a secretária.
“Trazer uma peça cultural que representa esse tipo de violência contra a mulher é essencial, é um apoio a mais para as mulheres que sofrem violência caladas, pois sentem medo de denunciar. Podemos, inclusive, ter relatos de mulheres que se encorajem e busquem ajuda após assistirem a peça. A presença da Maria da Penha engrandeceu ainda mais este evento”, disse a coordenadora do Projeto Cultural que promoveu a peça Do silêncio à voz, Érica Pereira.
Durante o evento, a presidente do Centro de Mulheres Jardim da Esperança, Maria Jucelina, leu a Carta das Mulheres da Paraíba, que presta homenagem para mulheres que atuam no combate à violência contra a mulher, incluindo a primeira-dama Camila Mariz, que foi agraciada com um arranjo de flores produzido pelas mulheres do Jardim da Esperança.
A iniciativa contou com o apoio de instituições como o Instituto Maria da Penha e a Fundação Margarida Maria Alves, servindo como um espaço fundamental para a reflexão sobre os direitos e a proteção da mulher.
O espetáculo é uma apresentação de dança contemporânea inspirada na trajetória de Maria da Penha, baseada em sua autobiografia “Sobrevivi…Posso contar”. A narrativa artística retrata o silêncio imposto às vítimas; as agressões sofridas; a superação; a luta por justiça; a criação da Lei Maria da Penha. Por meio de movimentos corporais, trilhas sonoras e recursos visuais, o espetáculo transforma dor em conscientização e voz ativa contra a violência de gênero.
Com informações de Secom-PB.