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Benedito Ruy Barbosa morre aos 95 anos, em São Paulo; autor deixa marca na teledramaturgia nacional
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O consagrado autor de novelas Benedito Ruy Barbosa morreu nesta terça-feira (7), em São Paulo, aos 95 anos. Internado no Hospital HCor, ele não resistiu às complicações de uma insuficiência renal crônica, doença que enfrentava há cerca de três anos. A assessoria de imprensa do hospital confirmou o óbito, informando que a morte ocorreu pela manhã em decorrência das complicações da IRC, conforme detalhado no boletim médico.

Benedito Ruy Barbosa não resistiu às complicações de uma insuficiência renal crônica
Benedito Ruy Barbosa não resistiu às complicações de uma insuficiência renal crônica (Foto: Reprodução/TV Globo)

Casado por 56 anos com a atriz Marilene Leonor Barbosa, que faleceu em 2014 aos 75 anos vítima de câncer, o dramaturgo deixou quatro filhos: Edmara, Edilene, Ruy e Marcelo. A filha Edmara e seu filho Bruno Luperi colaboraram em várias produções da Globo, como ‘Velho Chico’, ‘Pantanal’ e ‘Renascer’.

Com passagens por Tupi, Excelsior, Record, Band, Manchete e Globo, Benedito Ruy Barbosa construiu carreira marcada por obras de grande repercussão, entre elas ‘Pantanal’ (1990), ‘O Rei do Gado’ (1996), ‘Terra Nostra’ (1999), ‘Velho Chico’ (2016) e ‘Sinhá Moça’ (1986/2004).

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Nascido em 17 de abril de 1931 em Gália, no interior de São Paulo, como o mais velho de cinco irmãos, ele passou a infância em Vera Cruz, região de cafezais com forte presença de imigrantes japoneses e italianos. Seu pai, Otávio Barbosa, fundou e dirigiu o jornal A Voz de Vera Cruz até morrer aos 29 anos, em 1942. A mãe era Aurora Medeiros Barbosa.

Órfão de pai ainda menino, Benedito precisou trabalhar para ajudar a mãe. Iniciou como auxiliar de guarda-livros em uma firma comercial. Sem perspectivas de crescimento no interior, mudou-se sozinho para São Paulo, estudando à noite e trabalhando de dia no escritório da mesma empresa na capital. Com maior estabilidade, trouxe a família para um cortiço no Bom Retiro. Complementava a renda vendendo verduras na feira e como faxineiro em um banco. Graças aos conhecimentos contábeis, entrou no Banco de Boston. Depois, deixou o banco e voltou à firma comercial por alguns anos, em escritório em Maringá, no Paraná.

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Durante a temporada na zona rural paranaense, escreveu seu primeiro romance, Fogo Frio. Em 1959, a convite de Oduvaldo Viana Filho, a obra virou peça de teatro dirigida por Augusto Boal no Teatro de Arena e venceu o prêmio principal da Associação Paulista dos Críticos de Arte.

Em 1954, aprovado em concurso do jornal Estado de S. Paulo, foi contratado como revisor. Estreou como repórter na editoria de Esportes do Última Hora, passou pela Gazeta Esportiva e foi redator de publicidade da Radial Propaganda.

O sucesso de Fogo Frio rendeu convite para roteirista na agência J. W. Thompson, onde cuidou de todas as novelas patrocinadas pela Colgate-Palmolive. Contratado pela multinacional, escreveu ‘Somos Todos Irmãos’ (1966), adaptação do romance A Vingança do Judeu, de J. W. Rochester, exibida na TV Tupi. Trabalhou na Excelsior e na Record até ser contratado como assessor especial da TV Cultura em 1971.

Na TV Cultura, criou ‘Meu Pedacinho de Chão’, produzida em parceria com a Globo e exibida simultaneamente nas duas emissoras. Em 1976, assinou contrato com a Globo para ‘O Feijão e o Sonho’, que deu início à sua trajetória de sucesso no horário das 18h.

Em seguida vieram ‘À Sombra dos Laranjais’ (1977), adaptação de peça de Viriato Correia, e ‘Cabocla’ (1979), inspirada em romance de Ribeiro Couto. Após curta passagem pela TV Bandeirantes, onde escreveu ‘Os Imigrantes’ (1981), voltou à Globo para ‘Paraíso’ (1982), ‘Voltei pra Você’ (1983), ‘De Quina pra Lua’ (1985), ‘Sinhá Moça’ (1986) e ‘Vida Nova’ (1988). Também dirigiu e reformulou episódios do ‘Sítio do Picapau Amarelo’.

Em 1990, foi para a TV Manchete escrever ‘Pantanal’. O estrondoso sucesso da novela o trouxe de volta à Globo para ‘Renascer’ (1993), ambientada no interior baiano. Em 1999, retratou as raízes da cultura ítalo-brasileira em ‘Terra Nostra’, ao narrar a história de dois imigrantes italianos que se apaixonam no navio rumo ao Brasil no final do século XIX, mas se separam ao desembarcar no país.

O autor assinou ainda remakes de ‘Sinhá Moça’ e ‘Meu Pedacinho de Chão’ em 2006 e 2014. Em 2016, em parceria com Luiz Fernando Carvalho na direção, lançou ‘Velho Chico’, saga que se passa na cidade fictícia de Grotas do São Francisco, no sertão nordestino.

Com informações de O Globo.

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