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Operação prende três policiais civis suspeitos de cobrar propina para liberar cargas ilegais em SP
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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e a Corregedoria da Polícia Civil deflagraram na manhã desta sexta-feira (28) a Operação Merx contra um grupo suspeito de exigir propina para liberar cargas ilegais de celulares e outros eletrônicos interceptadas por policiais civis.

Policiais interceptavam cargas de eletrônicos de origem irregular e exigiam pagamentos equivalentes a cerca de 70% do valor da carga (Foto: Divulgação)

A Justiça decretou sete prisões preventivas, quatro delas contra policiais. Até a última atualização, cinco mandados haviam sido cumpridos. Foram presos os policiais civis José Adriano Nishi, Bruno dos Santos e Marcos Vinicius, o advogado Sidiclei Almeida e o empresário paranaense Jonathan Vieira. Thiago Magnabosco é considerado foragido e estaria no Paraguai, segundo a investigação. Um policial civil ainda é procurado.

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Também são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão.

A ação é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Corregedoria e do Departamento de Operações Estratégicas da Polícia Civil (Dope). Os crimes apurados são corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Como o esquema teria funcionado

Segundo a investigação, os policiais interceptavam cargas de eletrônicos de origem irregular e, em vez de apreender integralmente as mercadorias, exigiam dos responsáveis pagamentos equivalentes a cerca de 70% do valor da carga para liberá-la total ou parcialmente.

Em pelo menos quatro episódios documentados desde 2024, o grupo teria cobrado cerca de R$ 2,35 milhões em propina.

Bruno Moreno dos Santos é investigado por suspeita de participar da apreensão de uma carga de celulares em 17 de junho de 2024, na qual apenas parte da mercadoria teria sido formalmente apreendida. José Adriano Pereira da Silva Nishi, segundo a apuração, participou das negociações para a liberação irregular de uma carga. Marcos Vinicius também é policial civil alvo da operação.

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O advogado Sidiclei Almeida é apontado como intermediário entre policiais e empresários. Ele teria negociado com os agentes, indicado contas para os pagamentos, orientado quais valores deveriam ser informados às autoridades e participado da devolução das mercadorias. Em mensagens analisadas pelos investigadores, o advogado teria se referido ao dinheiro em espécie usado no esquema como “caixinha da alegria”.

Jonathan Vieira é apontado como um dos intermediários do esquema no Paraná. Dois suspeitos de comandar o contrabando das mercadorias também integram o conjunto de investigados.

Uso da estrutura policial

O policial civil Vagner de Lima, investigador de 1ª classe lotado no 2º Distrito Policial de Cotia, não teve a prisão decretada, mas foi afastado da função pública, teve as credenciais de acesso aos sistemas policiais recolhidas e está proibido de manter contato com investigados e testemunhas.

Segundo a investigação, foram identificados 13 acessos feitos com o login funcional de Vagner ao sistema Muralha Paulista/Cortex relacionados a um veículo que posteriormente teria sido envolvido no esquema. Os investigadores suspeitam que o policial tenha usado o sistema para monitorar um caminhão ligado a um dos episódios apurados.

A apuração aponta ainda a suspeita de que a própria estrutura da Polícia Civil tenha sido utilizada para monitorar cargas e obter vantagens ilícitas.

Buscas em delegacias

Entre os 18 endereços alvos de busca estão três unidades da Polícia Civil na Grande São Paulo: a Delegacia de Santana de Parnaíba, a Delegacia de Embu das Artes e o 2º Distrito Policial de Cotia.

Segundo o Ministério Público, integrantes do grupo utilizavam dependências policiais para armazenar as mercadorias e simular apreensões parciais das cargas, dando aparência de legalidade à atuação.

Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou a quebra de sigilos dos investigados e determinou o bloqueio de até R$ 4 milhões em bens dos alvos.

Os mandados são cumpridos em Barueri, Taboão da Serra, Diadema, Cotia, Santana de Parnaíba, Embu das Artes, São Sebastião e na capital paulista, além de Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná, e São Luís de Montes Belos, em Goiás.

Com informações do portal g1.

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