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Esquema de lavagem de dinheiro da Nova Okaida envolvia leilões de cavalos e buscava prefeituras
Termômetro da Política
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Segundo a Polícia Civil da Paraíba, a organização criminosa Nova Okáida misturou leilão de cavalos de raça Quarto de Milha e agência de forró para dar aparência lícita a dinheiro de cocaína, crack e skank em um esquema complexo de lavagem. Em dois anos o grupo teria girado cerca de R$ 150 milhões. Treze pessoas foram presas. A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 144 milhões. Os alvos podem responder por organização criminosa, tráfico, comércio ilegal de armas e lavagem.

Ivan Moura, o Mauro Maromba
Ivan Moura, o Mauro Maromba, participava do esquema (Foto: Reprodução/Fantástico)

No leilão virtual com a marca de Wesley Safadão, o martelo bateu: “Uma, duas, em R$ 2.300. Sim ou não?” “É nosso aqui.” “Duas, três. Vendido!” Quem levou o animal, diz a polícia, foi Ivan Moura, o Mauro Maromba, com o sócio Yago Cavalcanti, ex-candidato a vereador em Campina Grande. Yago já tinha comprado outros quatro cavalos do haras de Safadão, cerca de R$ 1 milhão, e tinha 15 Quarto de Milha. Montou haras no Rio Grande do Norte e, segundo a investigação, inflava o lance para depois revender “limpo”.

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No aplicativo, Ivan avisou: “Tu se liga quando for comprar pros cara não enganar você. Porque parece que o cara passou mais caro a você, né?” Yago: “Mas não tem nada, não. Depois eu te digo quanto vai valer na minha mão.”

O delegado Lucas Rothardand descreve o método: “o leilão de cavalo em si, para Yago e para Ivan, foi visto como uma forma de fazer uma automonetização sem uma contrapartida de fiscalização. Foi uma forma deles adquirirem alguns animais e, posteriormente, vender esse bem a fim de que o dinheiro volte pra ele com uma colocação limpa.”

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Safadão estava na noite dos lances. Como a dupla arrematou à distância, recebeu o vídeo de agradecimento habitual. Afrânio Brito, da DRE, diz que “tentaram a todo tempo se aproximar da questão do cavalo, da questão de pessoas sérias que usam o cavalo para tentar levar, catapultar o seu nome no meio da sociedade e estavam conseguindo ganhar uma certa credibilidade com isso.” Rothardand: “Não. Nem nenhum fornecedor está verificado como investigado nessa investigação.” A assessoria do cantor afirma que “o arremate dos animais é feito ao vivo, através do contato do interessado com a leiloeira. E que não houve qualquer contato direto com o artista.”

A outra frente era empresariar forrozeiro e vender show a prefeitura do Nordeste. Em áudio, Yago: “Tem que entrar em prefeitura, porque aí você vai começar a ganhar bem por cada show, entendeu? Se não for para entrar em prefeitura, não vale a pena não. Porque essas festinhas assim, não vale a pena, não.” Ele aparece no clipe de um artista que agenciava. A defesa do cantor diz que o contrato ia ser encerrado e que o músico não participou nem conhecia ilegalidade de Yago. A defesa de Cavalcanti não foi localizada. Ele foi preso ao tentar fugir por estrada paraibana.

Rothardand explica sobre a influência de Ivan. “O Ivan estava começando a tomar as rédeas do controle financeiro e de pontos de tráfico aqui na região do Acácio Figueiredo, que é uma região grande, populosa, aqui de Campina Grande. A gente identificou que ele era um conselheiro rotativo da Nova Okáida.” A polícia o aponta também na disciplina da facção.

Em casa, a ostentação: jet-ski, carro, condomínio fechado. A mulher, Miriam Ferreira, se declarava vendedora com renda de R$ 1.412. Em quatro meses, a empresa de fachada dela movimentou R$ 144 milhões. Alguém próximo mandou recado: “Se liga, Mourinha! Para não ‘tá’ postando essas coisas! Se liga, Mourinha, Mourinha, Mourinha!” À filha, Ivan deu conselho: “Quem trabalha não tem nada. Quem não faz nada, mas controla o que faz, é que tem dinheiro. Quem trabalha duro não tem dinheiro.”

A prisão dele surpreendeu a própria polícia. Afrânio Brito revela como ele foi encontrado. “Começamos a revistar a casa e o cachorro do nosso canil sentou do lado da cama. E, quando levantou a cama, era um box, aqueles tipo de um baú, né? Ele tava dentro.” Miriam saiu presa com o marido. A defesa do casal diz que “todas as medidas judiciais estão sendo adotadas. E que os fatos serão esclarecidos.”

O delegado-geral André Rabelo ressalta a importância de prender os grandes. “Dentro do que a gente está vivenciando, dessa luta contra o crime, especialmente contra o crime organizado, esse modelo de prender só aquele pequeno bandido que está começando no crime, isso já não está dando a resposta necessária.” Brito resume: “Ele vivia no mundo do glamour, mas ele também se inseria no crime.”

Com informações do Fantástico.

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