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Após críticas, Donald Trump apaga montagem de IA em que ele aparecia como Jesus
Termômetro da Política
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apagou de suas redes sociais, nesta segunda-feira (13), uma imagem gerada por inteligência artificial que o retratava em uma figura divina, após a publicação receber uma onda de críticas e acusações de blasfêmia, inclusive vindas de sua própria base de apoio conservadora. A montagem, que circulou brevemente no Truth Social, mostrava Trump vestindo uma túnica branca, com as mãos emitindo um brilho característico de divindade, abençoando um homem doente. Ao fundo da composição de IA, apareciam elementos como a bandeira dos EUA, a Estátua da Liberdade e gaviões.

Publicação de Donald Trump no domingo, 12 de abril
Publicação de Donald Trump no domingo, 12 de abril (Foto: Reprodução/Truth Social)

A exclusão da postagem, confirmada pela mídia norte-americana nesta tarde, ocorreu logo após Trump ter utilizado a mesma rede social para criticar o papa Leão XIV, chamando-o de “fraco”. Diante da repercussão negativa, o presidente norte-americano negou, também nesta segunda-feira, que a imagem tivesse a intenção de retratá-lo como Jesus, apresentando uma justificativa alternativa para a postagem.

“Não era uma representação disso. Eu publiquei, e achei que era eu como médico. Tinha a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha, que nós apoiamos, e só a imprensa falsa poderia inventar essa interpretação”, afirmou Trump ao ser questionado por um jornalista.

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Apesar da explicação, a publicação gerou forte repúdio em diversos setores políticos e religiosos, dentro e fora dos Estados Unidos. O repórter Aaron Blake, da TV CNN Internacional, relatou que “até mesmo alguns aliados de Trump classificaram [a imagem] como blasfêmia”. Figuras influentes do movimento conservador e da base MAGA (“Façam os EUA grandes novamente”, em português) manifestaram publicamente seu descontentamento. A ex-deputada Marjorie Taylor Greene declarou que a imagem “é mais do que blasfêmia, é o espírito do anticristo”. Outras vozes críticas incluíram o coapresentador da Fox News, Joey Jones, e os ativistas Brilyn Hollyhand e Riley Gaines.

No Congresso dos EUA, políticos como o deputado Jim McGovern também condenaram a montagem de IA nas redes sociais. O governador da Califórnia e principal opositor de Trump, Gavin Newsom, reagiu à remoção do post com a frase: “Agora delete sua presidência”. Em contrapartida, a influenciadora de extrema direita e conselheira de Trump, Laura Loomer, saiu em defesa do presidente, afirmando que “pessoas surtando por causa de um meme precisam se acalmar”. Até a publicação da reportagem, a Casa Branca não havia emitido uma manifestação oficial sobre o episódio.

A polêmica ocorre em um contexto onde Trump, que não frequenta a igreja regularmente, detém a maioria dos votos dos eleitores cristãos, tendo conquistado 56% do eleitorado católico na eleição de 2024, segundo análise de Ryan Burge, professor de ciência política da Universidade de Washington. O apoio evangélico ao presidente também se fortaleceu após ele sobreviver a uma tentativa de assassinato em julho de 2024, evento interpretado por alguns apoiadores como prova de bênção divina. Esta não foi a primeira vez que o uso de IA por Trump gerou atrito com sua base cristã; em maio de 2025, seu perfil republicou outra montagem em que ele aparecia retratado como pontífice, recebendo críticas semelhantes na ocasião.

Com informações de portal g1.

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