O bilionário americano Peter Thiel, cofundador do PayPal e dono da Palantir, tem intensificado sua presença na Argentina, atraído pelo projeto político do presidente Javier Milei. O magnata da tecnologia, de 58 anos, tem participado de eventos locais, viagens pelo país e encontros com autoridades, sinalizando um compromisso mais profundo com o experimento libertário em curso no país sul-americano.

Durante um torneio de xadrez no Clube Torre Blanca, em Buenos Aires, Thiel surpreendeu os frequentadores ao se inscrever e competir. Ele pagou 5.000 pesos pela inscrição e terminou em terceiro lugar. Um professor da escolinha do clube, Misael Álvarez, que ficou em quarto, comentou sobre o desempenho do americano: “Ele é muito bom, tem um excelente nível”.
Para Thiel, o xadrez vai além de um passatempo. Ele o enxerga como uma metáfora de sua visão de mundo, onde se calculam posições, antecipam reações e transformam informação em vantagem estratégica. Essa lógica guia tanto seus negócios quanto sua crescente aproximação com a política argentina.
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O empresário adquiriu uma residência avaliada em cerca de R$ 60 milhões na Rua Dardo Rocha, no exclusivo Barrio Parque, em Buenos Aires. Ele e o marido, Matt Danzeisen, matricularam os dois filhos em uma escola de elite na capital. A agenda de Thiel inclui visitas a estádios de futebol, passeios pela Patagônia e reuniões frequentes na Casa Rosada com ministros e empresários.
O governo de Milei o recebeu de braços abertos, destacando incentivos tributários previstos em programas como o Super Rigi para atrair investimentos em tecnologia. Recentemente, o Ministério do Capital Humano lançou o Gemelo Digital Social, uma ferramenta de inteligência artificial destinada a simular impactos de políticas sociais antes de sua implementação.
Analistas observam que Thiel busca na Argentina um espaço para testar ideias libertárias em larga escala, especialmente em regiões com potencial para data centers e inovação tecnológica. Seu fundo de venture capital, Founders Fund, já investe em Vaca Muerta, principal polo de exploração de hidrocarbonetos não convencionais do país, desde 2023.
Em uma reunião com Santiago Caputo, principal assessor de Milei, Thiel questionou as bases de sustentação da reeleição do presidente em 2027. Ele pediu detalhes sobre dados utilizados nas análises e as reformas ainda planejadas para o primeiro mandato. Caputo apresentou uma visão positiva, enfatizando o apoio ao governo e a fragilidade da oposição.
Thiel conheceu Milei por intermédio do embaixador argentino em Washington, Alec Oxenford. Fontes próximas indicam que o magnata expressou decepção com o segundo mandato de Donald Trump, para quem fez campanha em 2024, e vê na Argentina um novo campo de oportunidades.
A Palantir, empresa de Thiel especializada em análise de grandes volumes de dados e softwares de inteligência artificial para governos e forças armadas, conta com clientes como o Pentágono e o governo de Israel. Críticos associam sua visão a um “tecnofascismo”, por defender um ambiente com mínima regulação estatal e questionar a compatibilidade entre liberdade e democracia.
A aproximação de Thiel com Milei reforça o interesse de investidores internacionais pelo modelo econômico argentino, marcado pela redução de intervenção estatal e abertura a parcerias privadas. O magnata, que costuma pensar em lances estratégicos, parece apostar que o país pode se tornar um polo de inovação com menor interferência governamental.
Enquanto isso, Thiel continua sua imersão na cultura local, mesclando compromissos oficiais com momentos de lazer, como torneios de xadrez e explorações pela Patagônia. Seu movimento na Argentina é observado como parte de uma estratégia maior de expansão de influência, alinhada à sua defesa de sociedades baseadas em contratos voluntários e mínima regulação.
Com informações do portal UOL.