O Marrocos está erguendo o que deve se tornar o maior estádio de futebol do planeta. Com capacidade para 115 mil torcedores e custo estimado em US$ 500 milhões, o Grand Stade Hassan II poderá abrigar a decisão da Copa do Mundo de 2030, que será realizada em parceria com Espanha e Portugal. A Fifa ainda não definiu o local da final, mas o país africano concentra esforços para posicionar a nova arena como palco principal do torneio.

Localizado na região de El Mansouria e Benslimane, nos arredores de Casablanca, o estádio deve ser concluído em 2028. O projeto arquitetônico, assinado pelos escritórios Oualalou + Choi e Populous, tem inspiração nas tendas tradicionais marroquinas usadas nos moussems, encontros culturais e religiosos do país. O investimento total chega a 5 bilhões de dirhams, o equivalente a cerca de US$ 500 milhões. A segunda fase das obras, orçada em 3,2 bilhões de dirhams (aproximadamente US$ 320 milhões), foi contratada com as empresas locais TGCC e SGTM. O financiamento conta com recursos do governo marroquino e da Caisse de Dépôt et de Gestion.
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“Eles estão acabando agora esse que vai ser um grande estádio, onde esperam que seja a final. Ainda não está decidido, mas deve ser lá”, afirma Alexandre Guido Lopes Parola, embaixador do Brasil no Marrocos.
A construção faz parte de um plano mais amplo do país para transformar o futebol em alavanca de investimentos, turismo e modernização da infraestrutura. O Marrocos prevê aplicar cerca de US$ 6 bilhões na preparação para a Copa de 2030, incluindo estádios, aeroportos, rede ferroviária, rodovias, hotéis e requalificação urbana. Apenas os aeroportos devem receber cerca de US$ 4,2 bilhões em ampliações. A meta é elevar a capacidade turística para 26 milhões de visitantes por ano até 2030 e adicionar entre 100 mil e 150 mil leitos à rede hoteleira.
“Você vê, dia a dia, as coisas mudando e acontecendo. Muitos hotéis estão sendo construídos, as linhas de trem de alta velocidade estão sendo ampliadas e as cidades estão sendo modernizadas”, destaca o embaixador. Até a Copa, o país deve contar com um trem de alta velocidade ligando o norte ao sul do território.
Como ensaio para o Mundial, o Marrocos organizou a Copa Africana de Nações de 2025/2026. O evento gerou impacto econômico superior a € 1 bilhão, equivalente a cerca de US$ 1,17 bilhão, segundo relatório oficial. O torneio contribuiu para o recorde de 19,8 milhões de turistas em 2025 e para a geração de aproximadamente 100 mil empregos diretos e indiretos. Cerca de 3 mil empresas marroquinas participaram da cadeia de fornecedores em logística, hotelaria, alimentação, segurança e serviços. Projetos de infraestrutura que normalmente levariam uma década foram concluídos em cerca de dois anos, deixando cerca de 80% da estrutura necessária para 2030 já encaminhada.
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“Eles fizeram uma sequência de coisas muito bem organizada, porque organizaram a Copa da África. Com isso, já inauguraram vários estádios”, observa Parola.
Para o Marrocos, sediar a final da Copa de 2030 teria peso econômico e simbólico, atraindo turistas e investimentos e consolidando o país como um dos principais polos esportivos, industriais e logísticos da África. O setor de construção civil avança em paralelo ao turismo, à hotelaria, à indústria automotiva, ao setor aeroespacial e à produção de energia renovável.
“A base industrial do Marrocos já passou a da África do Sul e é hoje a maior da África. Eles estão construindo essa base, que está dando muita musculatura ao país”, afirma o embaixador.
Com informações do portal Exame.