Internacional - -
Lula liga para Trump e classifica retaliações americanas como infundadas
Termômetro da Política
Compartilhe:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone nesta sexta-feira (21) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ligação, feita a partir do Palácio da Alvorada, durou 1h20 e ocorreu em “tom amistoso e cordial”, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência.

Encontro abordou a agenda comercial bilateral, com foco na suspensão do tarifaço de 50% imposto por Trump (à esq), além das sanções contra ministros do governo brasileiro e do STF
Presidentes Donald Trump e Lula durante encontro em outubro (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A relação entre os dois países se deteriorou nos últimos meses após o Brasil ser alvo de investigação americana sobre alegadas práticas desleais de comércio. Como retaliação, Washington aplicou sobretaxas de 25% a 50% sobre produtos brasileiros, impôs sanções a alvos ligados ao crime organizado e adotou medidas diplomáticas restritivas, incluindo a revogação de vistos de autoridades brasileiras.

Favorite o Termômetro da Política no Google e acompanhe as notícias mais importantes para o seu dia

Na conversa, Lula afirmou que “as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas”.

O governo norte-americano justifica as medidas com base na Lei de Comércio americana, citando restrições ao comércio digital, barreiras ao etanol americano e ações do Judiciário brasileiro contra grandes empresas de tecnologia dos EUA e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Comércio e negociação

De acordo com nota da Secom, “o Presidente Lula telefonou esta manhã, dia 21 de agosto, para o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A conversa, que durou uma hora e vinte minutos, abordou temas do relacionamento bilateral e da agenda global. A ligação transcorreu em tom amistoso e cordial”.

Leia também
Justiça derruba norma que reconhece harmonização facial como especialidade odontológica

Lula argumentou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu a continuidade das negociações como “a melhor opção para os dois países”. Ele “reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil”.

Trump, segundo a nota, “concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais brevemente possível”.

Combate ao crime organizado

O presidente brasileiro também “reiterou o interesse brasileiro na cooperação com os Estados Unidos no combate ao crime organizado”. Lula argumentou que grupos criminosos exercem terror cotidiano sobre as populações mais carentes, mas não se confundem com organizações terroristas.

Ele afirmou que o Brasil dispõe de instrumentos próprios para enfrentar essas organizações, sem necessidade de classificação especial. Citou a estratégia de asfixiar financeiramente a criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de R$ 17 bilhões, e os planos de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima. Mencioneu ainda a aprovação da Lei Antifacção, que facilita a apreensão de bens e passaportes, e a proposta de emenda constitucional que amplia o papel do governo federal na segurança pública em colaboração com os estados.

Lula destacou o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne oficiais de todos os países amazônicos. Trump se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área.

Agenda global

Os dois presidentes trocaram impressões sobre os principais conflitos internacionais, especialmente as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Ambos concordaram sobre a urgência de encontrar uma solução negociada para o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já se estende por quase cinco anos.

Com informações da Folha de S.Paulo.

Compartilhe:
Palavras-chave
donald trumplula