A Ucrânia afirmou ter confirmado nesta semana o primeiro ataque de um drone russo controlado por inteligência artificial que resultou na morte de civis. Segundo Kiev, o equipamento escolheu o alvo sem interferência de um operador humano. A informação foi publicada na segunda-feira (24) pelo jornal americano The New York Times.

No dia seguinte, a ONU defendeu limites globais para armas autônomas, sem citar diretamente o caso relatado pela Ucrânia.
Autoridades ucranianas disseram que, em 6 de julho, um drone autônomo atacou e explodiu um posto de combustível em Zaporizhzhia, no leste do país, matando três civis, entre eles uma jovem de 19 anos. Se a versão de Kiev estiver correta, seria o primeiro ataque de uma arma autônoma a matar civis em um confronto no mundo.
Favorite o Termômetro da Política no Google e acompanhe as notícias mais importantes para o seu dia
“Esse é um risco para o mundo inteiro. Em alguns anos, nós estaremos vivendo em um filme do ‘Exterminador do Futuro’. Não é brincadeira. Máquinas estão tomando decisões de atacar”, disse Serhiy Minaiev, comandante das defesas aéreas de Zaporizhzhia.
Equipes militares forenses examinaram o local da explosão e os destroços. Segundo as autoridades ucranianas, o drone estava equipado com um chip de inteligência artificial fabricado pela americana Nvidia, pré-programado por um operador humano para atingir um posto de combustível. Ao se aproximar, o equipamento teria escolhido de forma autônoma o ponto exato do impacto — provavelmente tanques de gás propano. A hipótese de Kiev é que o drone havia sido “ensinado” a reconhecer os tanques para causar mais destruição.
Críticos afirmam que armamentos treinados para reconhecer sozinhos alvos como pontes, soldados e veículos militares são mais propensos a erros e até a crimes de guerra, por não distinguirem corretamente civis — alvos ilegítimos — de combatentes.
Leia também
Câmara deve votar na segunda-feira MP que extingue taxa das blusinhas
De acordo com o NYT, Rússia e Ucrânia já usam inteligência artificial com frequência em drones de combate, mas com sistemas menos sofisticados, nos quais um operador humano decide previamente o alvo final. Uma reportagem do The Guardian de abril de 2024 afirmou que Israel utiliza programas de inteligência artificial para determinar locais de bombardeio e identificar membros do Hamas na Faixa de Gaza.
Procurada pelo NYT, a Nvidia disse que o chip em questão, que custa algumas centenas de dólares, é vendido no varejo para “estudantes, desenvolvedores e start-ups para uma série de aplicações benéficas”. O produto não é comercializado diretamente na Rússia, mas pode ser encontrado por revendedores ou no mercado de segunda mão.
Na terça-feira (25), a ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) condenaram o uso de inteligência artificial para que armamentos tomem decisões autônomas. As entidades não mencionaram o incidente denunciado pela Ucrânia.
Em documento, pediram que os países adotem proibições e limites ao uso de armas autônomas — sistemas capazes de identificar e atacar alvos sem comando humano direto. O argumento é que regras são necessárias para proteger a população civil antes que esse tipo de arma se espalhe.
Embora afirmem que esses sistemas já estão em desenvolvimento, ONU e Cruz Vermelha disseram não ter confirmado seu emprego em combate.
Com informações do portal g1.