Os democratas assumiram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3), marcando uma vitória ampla que alcançou territórios tradicionalmente dominados pelos republicanos e representou uma rejeição ao presidente Donald Trump. Segundo projeções de veículos como Reuters, Associated Press, NBC News e Decision Desk HQ, o partido conquistou maioria nas duas casas do Congresso, revertendo a vantagem republicana que vigorava desde o início do segundo mandato de Trump.

No Senado, os democratas obtiveram pelo menos sete cadeiras republicanas, alcançando 54 assentos, enquanto os republicanos ficaram com 44. Ainda faltam definir 2 cadeiras no Senado e 68 na Câmara. Entre as vitórias destacam-se os flips em Texas, Kansas, Carolina do Sul, Ohio, Iowa, Carolina do Norte e Maine. James Talarico derrotou Ken Paxton no Texas, tornando-se o primeiro senador democrata eleito no estado desde 1988 — o último democrata a vencer uma disputa estadual no Texas havia sido em 1994. No Kansas, Adam Hamilton venceu o incumbente Roger Marshall, encerrando uma ausência de quase um século: o estado não elegia um senador democrata desde 1932, durante a Grande Depressão. Na Carolina do Sul, Annie Andrews superou Darline Graham, candidata indicada por Trump e irmã do falecido senador Lindsey Graham, em um estado que Trump havia vencido por quase 18 pontos em 2024; os democratas não conquistavam uma cadeira no Senado local neste século.
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Outros resultados incluem Sherrod Brown no Ohio, Roy Cooper na Carolina do Norte, Josh Turek em Iowa e Troy Jackson no Maine. Os democratas também mantiveram cadeiras competitivas, como a de Jon Ossoff na Geórgia. Na Câmara, o partido ultrapassou a marca de 218 cadeiras necessárias para a maioria, com projeções indicando ganhos líquidos de pelo menos 20 a 25 assentos — e possivelmente mais, com algumas estimativas apontando para majorias entre 220 e 250 cadeiras, a depender da contagem final. Os republicanos, que entraram na disputa com cerca de 218-219 assentos contra 214 democratas, perderam dezenas de distritos, inclusive em áreas que Trump havia vencido por margens de dois dígitos em 2024. Tentativas republicanas de redesenhar distritos para favorecer o partido não impediram as perdas democratas em estados como Kentucky, Nova Jersey e Carolina do Norte.
A onda também se estendeu a governos estaduais. No Texas, Gina Hinojosa derrotou o governador republicano de três mandatos Greg Abbott, tornando-se a primeira latina a ocupar o cargo e encerrando décadas de domínio republicano. Democratas ainda conquistaram governos em Iowa, Ohio e Geórgia, entre outros. Eleitores expressaram insatisfação com preços elevados, a guerra no Irã e preocupações com corrupção, fatores apontados por analistas como motores da virada.
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Com a maioria nas duas casas a partir de janeiro de 2027, os democratas passam a controlar comissões, agendas legislativas e o poder de investigação. Isso inclui a capacidade de convocar testemunhas, exigir documentos e abrir inquéritos sobre a administração Trump, seus aliados e negócios familiares. No Senado, a confirmação de indicados — ministros, embaixadores e juízes, inclusive para a Suprema Corte — fica sujeita a maior escrutínio e possível bloqueio. Projetos de lei republicanos enfrentam obstáculos, embora Trump mantenha o poder de veto, que ele já sinalizou usar de forma ampla. O cenário transforma os dois últimos anos do mandato em um governo dividido, com potencial para frear a agenda executiva e intensificar a fiscalização, após um período em que o Congresso republicano ofereceu pouca resistência.
Os resultados consolidam uma rejeição eleitoral a Trump em territórios onde o Partido Republicano havia mantido hegemonia por gerações, alterando o equilíbrio de poder em Washington e abrindo caminho para maior oposição institucional ao presidente.