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Prisão de Alexandre Ramagem por polícia migratória dos EUA divide bolsonaristas e governistas
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A prisão de Alexandre Ramagem, ex-deputado federal e ex-diretor da Abin, pelo ICE (Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos) nesta segunda-feira (13) provocou reações opostas entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e membros do governo Lula.

Deliberação do STF é necessária porque a decisão da Câmara abre brecha para a suspensão de todas as acusações contra Ramagem (foto) e todos os demais réus do núcleo 1 da trama golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, contestou a versão inicial da Polícia Federal de que Ramagem teria sido preso em Orlando, na Flórida, por status imigratório irregular. Segundo ele, o ex-parlamentar tem status legal nos EUA, aguarda análise de pedido de asilo e teria sido detido por uma infração de trânsito leve.

“Não se trata de uma prisão provocada pelo governo brasileiro em um processo de extradição, mas sim porque ele provavelmente, supostamente, cometeu uma infração de trânsito leve e acabou sendo levado para a delegacia, onde acabou culminando na análise migratória do ICE”, afirmou Eduardo em vídeo publicado no Instagram.

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O filho do ex-presidente disse ainda que está trabalhando nos bastidores para que Ramagem seja liberado em breve. “Isso daí é uma detenção, não é uma prisão propriamente dita, mas há boa expectativa de que ele seja solto e continue respondendo ao seu processo de asilo em liberdade. Isso porque no momento em que nós nos encontramos já é consolidada a perseguição do Alexandre de Moraes, principalmente nos Estados Unidos.”

O senador Jorge Seif (PL-SC) também se manifestou em defesa de Ramagem. Ele enviou documento à embaixada americana no Brasil pedindo celeridade ao pedido de asilo, classificando o ex-deputado como perseguido político. “É inaceitável que os Estados Unidos da América, o grande pilar da democracia ocidental e mundial, o maior poderio econômico, o maior poderio bélico, faça uma deportação injusta, visto que o próprio presidente Donald Trump já disse que existe uma caça às bruxas, um conluio no Supremo Tribunal Federal”, disse Seif em vídeo no Instagram.

Do outro lado, líderes governistas ironizaram a situação. Gleisi Hoffmann, ex-presidente do PT, escreveu nas redes sociais: “Essa turma que adora Trump está sentindo na pele o que é governo autoritário e de extrema-direita. Que seja deportado ao Brasil para cumprir sua pena por tentativa de golpe de Estado”.

O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), afirmou que Ramagem “fugiu do Brasil para escapar da Justiça, mas acabou sendo detido justamente no país que tanto idolatrava”.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo, compartilhou vídeo nas redes lembrando que havia pedido a inclusão de Ramagem na lista da Interpol em novembro. “Agora, olha a ironia: eles, que defendem tanto o Trump, foram presos pelo ICE, a polícia que cuida de imigração e da alfândega, aquela polícia extremamente violenta.”

O ministro Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, publicou que este era um “grande dia”, em referência à postagem de Bolsonaro no X quando Lula foi condenado em 2019. Já o ex-ministro José Dirceu (PT) afirmou que “nem Trump está protegendo os bolsonaristas” e que “a tentativa de golpe não passará impune”.

Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pela Primeira Turma do STF em setembro, pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito. Em novembro, o ministro Alexandre de Moraes decretou sua prisão preventiva. Seu mandato foi cassado em dezembro, junto com o de Eduardo Bolsonaro. Em 15 de dezembro, Moraes pediu a extradição aos EUA.

A Polícia Federal afirma que Ramagem deixou o Brasil de forma clandestina pela fronteira com a Guiana, usando passaporte diplomático para entrar nos Estados Unidos. A denúncia da Procuradoria-Geral da República o acusa de ter comandado uma “Abin paralela” para monitorar adversários, produzir informações falsas e apoiar planos golpistas, inclusive fornecendo material contra as urnas eletrônicas e em favor de intervenção militar.

A expectativa da PF é que Ramagem seja deportado após audiência com juiz de imigração. Sua defesa deve argumentar perseguição política para tentar obter asilo nos EUA, o que poderia suspender o processo de deportação. Caso contrário, ele deve ser enviado de volta ao Brasil nas próximas semanas ou meses.

Com informações da BBC Brasil.

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