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Sogra do prefeito afastado de Cabedelo é apontada como elo entre gestão municipal e facção Tropa do Amigão
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As investigações da Polícia Federal e do Gaeco do Ministério Público da Paraíba identificaram Cinthya Denize Silva Cordeiro, sogra do prefeito eleito e afastado Edvaldo Neto (Avante), como uma das principais articuladoras entre o poder público local e a “Tropa do Amigão”, célula do Comando Vermelho que atua na região.

Cinthya Denize Silva Cordeiro, sogra de Edvaldo Neto
Cinthya Denize Silva Cordeiro, sogra de Edvaldo Neto (Foto: Reprodução/Facebook)

Cinthya, que é advogada, é apontada como peça estratégica por manter relação profissional com Flávio de Lima Monteiro, conhecido como “Fatoka”, considerado o líder da facção na Paraíba. Ela é mãe da primeira-dama do município.

Edvaldo Neto foi eleito em disputa suplementar no último domingo (11) e afastado do cargo na terça-feira (14) pela Operação Cítrico, que apura desvio de recursos públicos, fraudes em licitações e infiltração do crime organizado na Prefeitura de Cabedelo.

Segundo os investigadores, existe um “consórcio político-criminoso” em que Cinthya teria atuado para facilitar a presença da facção dentro da estrutura administrativa. Ela teria usado a amizade com a ex-primeira-dama Daniella Ronconi, esposa do ex-prefeito Vitor Hugo (2018-2024), para articular a aliança inicial entre o município e o grupo criminoso.

A sogra do prefeito é suspeita de mascarar repasses de dinheiro para a facção e de servir como intermediária entre o núcleo político e o braço armado do crime. Os investigadores apontam que sua relação jurídica com “Fatoka” teria gerado uma “institucionalização” do vínculo com a organização, inclusive com indícios de comunicação direta com o comando central do Comando Vermelho, incluindo Fernandinho Beira-Mar.

“Fatoka” está foragido desde 2018, quando participou da mega fuga de 92 detentos da Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes (PB1), em João Pessoa. Apesar disso, as investigações indicam que ele continua ordenando ações criminosas em Cabedelo de uma comunidade no Rio de Janeiro.

Edvaldo Neto ocupava o cargo de prefeito de forma interina desde junho de 2025, após a cassação do diploma de André Coutinho (Avante), condenado por acordo com integrantes da Tropa do Amigão, que teriam recebido cargos na prefeitura em troca de apoio eleitoral em 2024.

Com a ascensão de seu genro à Prefeitura, Cinthya passou a ser vista pelos investigadores como figura de poder contínuo, garantindo que o suposto pacto de contratações públicas em troca de apoio nas áreas de controle territorial armado se mantivesse, independentemente das trocas de gestores.

Na decisão de afastamento de Edvaldo Neto, a Justiça proibiu Cinthya de acessar ou frequentar as dependências da Prefeitura de Cabedelo e de manter contato com os demais investigados.

Com informações do portal UOL.

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