A Secretaria de Educação do Distrito Federal firmou, em dezembro de 2023, durante a gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), um contrato de prestação de serviços no valor de R$ 5 milhões com o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A entidade é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da produtora Go UP Entertainment Ltda., responsável pelo filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O contrato previa a implantação do programa Steam Maker, voltado à transformação digital no sistema de ensino do DF. A iniciativa buscava integrar as áreas de ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática por meio de laboratórios de criatividade (Smart Labs) instalados em 16 unidades da rede de educação básica. O plano incluía o fornecimento de equipamentos como computadores, impressoras 3D e kits de robótica, além de formação de professores, material didático e suporte técnico e pedagógico.
O acordo inicial era de R$ 4 milhões. Um aditivo de R$ 1 milhão foi liberado no mês seguinte, elevando o total para R$ 5 milhões. O prazo de vigência foi prorrogado e encerrou em 23 de dezembro de 2025, quando, segundo a secretaria, “foram concluídas as atividades previstas no âmbito do Programa de Educação Criativa e Transformação Digital”. A prestação de contas do programa ainda consta como “em execução” no site da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAP), embora o prazo para entrega tenha expirado em março de 2025.
Ibaneis Rocha, que renunciou ao cargo no fim de março para concorrer ao Senado, atuou como articulador das negociações para a frustrada aquisição do Banco Master, de Daniel Vorcaro, pelo BRB (Banco Regional de Brasília). Ele providenciou a autorização legal para a operação e manteve reuniões com o banqueiro. O ex-governador nega qualquer irregularidade no processo.
O ICB e a produtora Go UP funcionam no mesmo endereço. Em São Paulo, a Polícia Civil investiga se recursos da Prefeitura foram desviados para custear o filme “Dark Horse” por meio de um contrato de R$ 157,1 milhões (incluindo aditivos) assinado entre o instituto e a gestão Ricardo Nunes (MDB). A suspeita é de que R$ 26 milhões tenham sido repassados sem a efetiva prestação do serviço de instalação de pontos de wi-fi em regiões periféricas. O inquérito também apura possível direcionamento do chamamento público e ausência de capacidade técnica da entidade no setor de telecomunicações — o histórico do instituto se limitava a feiras de livros e eventos literários ou religiosos.
O roteiro de “Dark Horse” é assinado pelo deputado Mário Frias (PL-SP), que destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao ICB. Esse repasse é alvo de apuração no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino, que investiga possíveis irregularidades em emendas parlamentares. A suspeita é de que o dinheiro tenha sido usado para custear o filme.
Com informações do portal UOL.