O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou a aliados que aguarda a próxima “jogada” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) e rebateu o que classificou como tentativas de pressão do governo.

Nos últimos dias, o Planalto tentou mobilizar senadores com oferta de cargos, liberação de emendas parlamentares e negociações de palanques estaduais para garantir a aprovação de Messias. A articulação, no entanto, não teve sucesso. Auxiliares de Alcolumbre relatam que o “cardápio de ofertas” se misturou com “ameaças veladas” e recados que irritaram o presidente da Casa.
O vazamento de um encontro entre Alcolumbre e Messias foi interpretado por ele como uma estratégia do governo para criar uma imagem de apoio público, o que piorou o clima interno. Aliados admitem que Alcolumbre se movimentou na reta final para demonstrar sua força dentro do Senado.
Quem explicitou esse controle foi o líder do governo, senador Jaques Wagner (PT-BA). Instantes antes da votação, Jaques Wagner perguntou a Alcolumbre qual seria o placar. O presidente do Senado respondeu: “ele vai perder por oito”. Messias obteve 34 votos, sete a menos do que os 41 necessários.
Após a derrota, Alcolumbre repetiu a colegas e ao seu núcleo duro — que conta com ao menos 16 senadores — que estava disposto a mostrar que era preciso “respeitar o Senado” e que “o governo não devia achar que compraria todo mundo”. Ele também viu no episódio a oportunidade de reforçar a força da Casa, inclusive em relação ao STF e a possíveis decisões sobre emendas parlamentares.
Membros do governo chegaram a verbalizar, após o resultado, que Alcolumbre estaria atuando “por medo da PF”. O caso envolve a investigação da Polícia Federal sobre aportes da Amprev (Amapá Previdência) no Banco Master. Em 2024, a Amprev fez aportes de ao menos R$ 400 milhões no banco. Alcolumbre tem apadrinhados na instituição, mas nega qualquer relação com as decisões de investimento ou influência sobre o tema.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e o coordenador de sua pré-campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), declararam publicamente que não faz sentido o presidente Lula indicar outro nome ao STF antes da eleição. Auxiliares de Alcolumbre afirmam que não há razão para ele se posicionar agora, pois “o jogo zerou” e é preciso aguardar a decisão de Lula.
No ano passado, Alcolumbre havia avisado pessoalmente a Lula que garantiria aprovação tranquila caso o indicado fosse Rodrigo Pacheco (PSB-MG), mas que não via clima favorável ao nome de Messias.
O Senado ainda pode impor nova derrota ao governo ao derrubar o veto ao PL da Dosimetria, medida que já era esperada. A rejeição de Messias, primeira em 132 anos desde o governo de Floriano Peixoto, pegou o Planalto de surpresa e deixou Lula indignado. Apesar da cadeira vaga no STF por seis meses, a principal preocupação do presidente segue sendo a eleição.
Messias recebeu ligação de Lula logo após a derrota e falou com a imprensa. “Passei por cinco meses de um processo de desconstrução da minha imagem. Toda sorte de mentiras para me desconstruir ocorreu”, afirmou o advogado-geral da União.
No Palácio do Planalto, a avaliação é de que não há meios jurídicos para indicar novamente Messias e que os próximos passos precisam ser calculados com cautela. Um ministro resumiu: “Difícil avaliar isso agora”.
Com informações do portal UOL.