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PF aponta mesada de Vorcaro a Ciro Nogueira e emenda parlamentar redigida para favorecer o Banco Master
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Investigações da Polícia Federal revelam que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebia pagamentos mensais recorrentes do banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito de um suposto esquema de troca de favores. Diálogos interceptados mostram que o valor da “mesada” chegou a R$ 500 mil por mês.

Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro
Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro (Fotos: Jefferson Rudy/Agência Senado/Reprodução/TV Globo)

A informação faz parte da 5ª fase da Operação Compliance Zero, que mira fraudes bilionárias envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou a suspensão de empresas e o monitoramento de envolvidos na operação.

As mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e seu operador financeiro, Felipe Vorcaro (primo do banqueiro), detalham a “parceria BRGD/CNLF”. A BRGD S.A., empresa da família Vorcaro, enviava recursos para a CNLF Empreendimentos, veículo patrimonial do senador.

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Em junho de 2025, Daniel Vorcaro cobrou o atraso de dois meses nos repasses ao “Ciro”. Felipe respondeu: “Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”

Em contrapartida aos pagamentos, o senador teria apresentado emenda parlamentar elaborada diretamente pela assessoria do Banco Master. Trata-se da emenda nº 11 à PEC nº 65/2023, protocolada em agosto de 2024, que propunha elevar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.

Segundo as investigações, o texto da emenda foi entregue em envelope na residência do senador. Após a apresentação, Daniel Vorcaro teria comemorado: a proposta “saiu exatamente como mandei”. Interlocutores do banco avaliavam que a medida “sextuplicaria” os negócios da instituição.

Além dos repasses mensais, a PF apura vantagens obtidas por meio de operações societárias. A CNLF, administrada formalmente pelo irmão do senador, Raimundo Neto, adquiriu 30% da Green Investimentos S.A. por R$ 1 milhão.

A operação Compliance Zero investiga falta total de controles internos nas instituições para evitar crimes como gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado. A PF e o STF seguem analisando o material coletado.

Com informações do portal g1.

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