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Mario Frias destinou R$ 154 mil a empresa investigada por fraude em contrato com a Prefeitura de SP
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O gabinete do deputado federal Mario Frias (PL) pagou ao menos R$ 154 mil, entre setembro de 2024 e abril de 2026, à Complexsys Soluções Integradas Ltda., empresa que aparece na investigação da Polícia Civil sobre suspeitas de irregularidades no contrato milionário entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Prefeitura de São Paulo.

Mário Frias, Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel
Mário Frias, Flávio Bolsonaro e o ator Jim Caviezel, protagonista do filme Dark Horse, que está no centro da polêmica (Foto: Reprodução)

A Complexsys é de propriedade do empresário André Feldman, que aparece em fotografias publicadas nas redes sociais ao lado de Karina Gama, presidente do ICB e sócia da produtora Go UP Entertainment Ltda., responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Tanto a ONG quanto a produtora funcionavam no mesmo endereço da Avenida Paulista, antes de mudarem para a rua Haddock Lobo, nos Jardins, sem atualização nos registros oficiais.

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Antes da Complexsys, o mesmo tipo de serviço era prestado ao gabinete de Frias pela GTrend, empresa de Wemerson Marinho da Gama, ex-marido de Karina Gama. A GTrend recebeu R$ 115,6 mil entre abril de 2023 e agosto de 2024. Wemerson afirmou que entrou na contratação de boa-fé e que se dedicou a entregar o que foi combinado, mas que muitas propostas apresentadas eram recusadas. Ele acredita que a contratação da empresa se deu em razão da ligação familiar com Karina.

Documentos obtidos pela reportagem mostram que as notas fiscais emitidas pela GTrend e pela Complexsys ao gabinete de Frias utilizavam descrições idênticas para os serviços prestados, apesar de terem sido emitidas por empresas diferentes e em períodos distintos. Os pagamentos foram feitos com recursos da cota parlamentar para serviços descritos como “CRM Político”, sistema de gestão de relacionamento com eleitores.

A Complexsys também é investigada pela Polícia Civil por ter emitido uma nota fiscal de R$ 2 milhões em novembro de 2025 por supostos serviços de verificação e reparo técnico de equipamentos. A nota consta como cancelada no sistema da Prefeitura de São Paulo no mesmo dia da emissão, mas foi incluída pela ONG na prestação de contas entregue em fevereiro deste ano.

A operação da Polícia Civil, deflagrada na segunda-feira (1º), cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços ligados a Karina Gama e na Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação. O inquérito apura suspeitas de direcionamento do chamamento público, ausência de capacidade técnica da entidade, sobrepreço, antecipação de repasses e pagamentos por serviços não executados. A promotora Marina Pedersolli destacou “possível direcionamento do chamamento público, ausência de capacidade técnica da entidade contratada, suposto sobrepreço nos valores pagos pela Administração Municipal, antecipação de repasses públicos e pagamentos por serviços supostamente não executados”.

A Prefeitura de São Paulo afirmou que colabora com as investigações e que todo o material requisitado já havia sido encaminhado às autoridades. A gestão Ricardo Nunes disse que “o programa funciona normalmente na cidade”.

A Complexsys informou que acompanha “com serenidade” a investigação e que atua como “mera prestadora de serviços da OSC Instituto Conhecer Brasil”. A empresa declarou que não existem conclusões definitivas que justifiquem qualquer responsabilização e que permanece à disposição das autoridades.

A reportagem procurou o gabinete de Mario Frias, a Complexsys, Karina Gama e o Instituto Conhecer Brasil, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Com informações do portal g1.

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