O Centro de Convenções de João Pessoa sediou, nesta quarta-feira (3), a solenidade de abertura do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo. O evento, idealizado pelo Ministério do Turismo (MTur) em cooperação com a ONU Turismo, congrega pesquisadoras, gestoras da administração pública, empresárias e lideranças institucionais com o propósito de debater a ampliação do protagonismo feminino no mercado turístico. A primeira-dama do Estado, Camila Mariz, compareceu ao encontro representando formalmente o governador Lucas Ribeiro na mesa de abertura e, posteriormente, atuou como debatedora no painel focado na Segurança Turística da Mulher.

As atividades do fórum, que se estendem até esta quinta-feira (4) no Teatro Pedra do Reino, têm como eixos temáticos centrais a segurança de mulheres viajantes, o fomento ao empreendedorismo feminino e as projeções de impactos no setor decorrentes da realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil. Em sua fala de acolhida aos participantes, a primeira-dama elencou indicadores e projetos estruturados pelo Governo da Paraíba para mitigar a violência de gênero no território paraibano.
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“Nos primeiros quatro meses deste ano, a Paraíba conseguiu reduzir o número de feminicídios em mais de 40%. E por que eu trago esses dados? Porque eles refletem uma política pública que funciona, um estado responsável e dirigente no combate à violência contra a mulher. Hoje, o governador Lucas Ribeiro está em Campina Grande lançando um conjunto de ações na Segurança Pública para o São João da Rainha da Borborema. Serão mais de 500 policiais circulando naquela área para que se projetam, sobretudo, as mulheres”, detalhou Camila Mariz, fazendo menção também a iniciativas de conscientização de massa, como a Campanha “Não é Não também no São João”.
A primeira-dama enfatizou o posicionamento da Paraíba como um polo de acolhimento seguro. “Que este Fórum Internacional renove nosso compromisso de que viajar deve ser sempre, para cada mulher, sinônimo de segurança e de autonomia. Bem-vindas a um Estado que cuida de suas mulheres e que acolhe as que vêm de fora”, complementou.
Alinhado a essa perspectiva, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, enviou uma mensagem em formato de vídeo diretamente de Brasília, justificando sua ausência devido a uma reunião do Governo Federal. “Neste momento, estou em Brasília para participar de uma reunião com todos os ministros e ministras do Governo do presidente Lula. Quero dizer que esse Fórum foi organizado com muito carinho para falar da atuação das mulheres no turismo. No Governo do presidente Lula, a defesa das mulheres está no centro das políticas públicas. Acabamos de completar cem dias do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, e o turismo faz parte dessa rede de proteção. É com esse compromisso que lançamos hoje, além do português, em inglês e espanhol o nosso guia para mulheres que viajam sozinhas”, declarou o ministro.
A conexão entre a pauta do evento e as metas globais de desenvolvimento humano foi abordada por representantes de organismos internacionais e instituições de ensino. A representante da Unesco, Isabel de Paula, lembrou que a instituição tem como uma de suas políticas a promoção da igualdade de gênero.
“Esse compromisso está alinhado à agenda 2030 da ONU, especialmente ao objetivo de desenvolvimento sustentável número 5, que busca alcançar igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. O turismo, como setor estratégico, tem enorme potencial para contribuir diretamente para esse objetivo, ampliando oportunidades e fortalecendo a autonomia, garantindo ambientes mais seguros para todas as mulheres”, ponderou. Sob a ótica da cooperação acadêmica, a reitora da UFPB, Terezinha Domiciano, defendeu a união de esforços institucionais. “Que este evento seja um momento de escuta de articulação e de construção coletiva. Que neste momento surjam redes mais fortes e políticas mais efetivas para as mulheres da Paraíba e do mundo. Parabenizo o Ministério do Turismo e a ONU Turismo pela realização desse Fórum”, ressaltou a reitora.
A percepção do cenário brasileiro no contexto global foi analisada por Heitor Kadri, integrante da ONU Turismo, que pontuou os avanços na consolidação de destinos mais estruturados para o público feminino, destacando o papel preventivo do novo material técnico do ministério. “Como um país de dimensões continentais, o Brasil tem os seus desafios. Mas tem se mostrado como um conjunto de lugares melhor organizados, estruturados e seguros para as mulheres. E, com relação ao Guia que está sendo lançado, podemos definir como um conjunto de orientações que podem salvar muitas mulheres em qualquer incidente durante a viagem”, avaliou. O evento registrou ainda a presença da secretária-executiva do Turismo, Fernanda Norat; da secretária de Estado do Turismo e Desenvolvimento Econômico (Setde), Marianne Góes; e de Galianne Palayret, representante da ONU Mulheres.
Estatísticas oficiais divulgadas pelo Governo Federal servem de base para a formatação do debate: as mulheres compõem 52,5% da força de trabalho formalizada no turismo e gerenciam 57% dos empreendimentos do setor. Contudo, o segmento ainda lida com distorções estruturais, a exemplo da disparidade salarial, na qual o público feminino aufere uma remuneração média 22% menor do que o público masculino no exercício de idênticas atribuições. A programação do fórum foi desenhada para propor respostas a esses gargalos sob prismas que englobam políticas públicas de gênero, cooperação regional, fomento a negócios e as garantias necessárias para mulheres que realizam viagens de forma solitária.
A mesa de debates voltada à segurança das mulheres foi qualificada pela primeira-dama Camila Mariz a partir do princípio da transversalidade administrativa adotado no estado.
“Todos nós estamos inseridos dentro de um contexto social e trabalhar a violência contra a mulher de uma maneira transversal, envolvendo a Secretaria da Saúde, do Turismo e Desenvolvimento Econômico, e também da Segurança, entre outras, tem tornado as políticas públicas no combate à violência contra a mulher efetivas”, argumentou Camila, associando a metodologia ao recuo de mais de 40% nos casos de feminicídio no primeiro quadrimestre do ano. O painel contou também com intervenções de Tatiana Oliveira, coordenadora do Turismo Responsável do Ministério do Turismo; da coronel Jousilene de Sales Tavares, representando o Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba (CBMPB); e da jornalista Anelise Zanoni, vinculada à Unesco.
Durante a rodada de discussões, Anelise Zanoni apresentou uma pesquisa que expõe o impacto do medo na mobilidade das mulheres, revelando que seis em cada 10 entrevistadas abrem mão de realizar viagens por falta de segurança, enquanto 76% evitam destinos específicos devido ao receio de violência. Diante desse panorama, as estratégias operacionais implementadas pelas forças de segurança da Paraíba foram detalhadas pela coronel Jousilene de Sales Tavares, evidenciando as medidas voltadas ao acolhimento e à vigilância em grandes eventos.
“Temos treinado o 190 (PM) e o 193 (Bombeiros) para a mulher se sentir acolhida; temos feito parcerias com a Uber e monitorado os pontos de maior vulnerabilidade do São João do Mundo, dando sensação de segurança às mulheres que visitam Campina nesta época do ano”, concluiu a oficial.
Com informações de Secom-PB.