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Liderança de Flávio Bolsonaro é colocada em xeque após fuga do país e carta golpista
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Integrantes do PL demonstram preocupação, nos bastidores, com os reflexos que as atitudes recentes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) possam ter sobre o partido. A avaliação é que a legenda precisa se afastar da ideia de que é golpista ou tome medidas inconstitucionais — ainda que, em público, políticos da legenda relativizem a situação e digam que Flávio deixou o país para se proteger do que classificam como “perseguição” por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).

Senador Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência da República
Lideranças da direita e extrema direita devem se afastar de Flávio Bolsonaro (Foto: Vittor Sales/Divulgação)

Nas últimas 48 horas, aliados do senador colocaram em xeque sua capacidade de liderar a oposição no Brasil, levantaram dúvidas sobre a força do bolsonarismo nos próximos anos e criticaram suas decisões de fugir para os Estados Unidos e de divulgar uma carta com teor golpista. Essas escolhas desmobilizaram a união da direita em torno do seu nome e abriram espaço para outro líder, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fazer manifestações alinhadas com o que tem sido dito pela classe política: que a eleição é página virada e agora é preciso discutir os rumos do país.

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Tarcísio e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), foram cabos eleitorais essenciais para Flávio Bolsonaro ter votação expressiva em São Paulo. O União Brasil declarou apoio no segundo turno. Ontem, todos, assim como o MDB e o PSDB, se manifestaram contra a posição de Flávio na carta golpista.

Aliados de Flávio demonstram perplexidade com os acontecimentos dos últimos dias, desde sua fuga do Brasil. O discurso oficial segue a linha de que foi uma decisão legítima para proteger a si e à sua família contra o que chamam de abusos do ministro Alexandre de Moraes (STF). Nos bastidores, porém, a avaliação é outra: Flávio abandonou os aliados, ignorou seus projetos e descartou seu capital político mesmo tendo recebido 60 milhões de votos no domingo. Os aliados acrescentam que, para além de construir um nome com peso nacional para a próxima eleição, é preciso ter alguém que canalize a voz da oposição.

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É neste contexto que os posicionamentos de Tarcísio ganham força. Na terça-feira, em meio às notícias sobre a fuga de Flávio, o governador publicou um vídeo dizendo que “a eleição passou”; na quarta-feira, ao responder sobre a carta golpista, disse entender o “sentimento, indignação e revolta” de Flávio, “mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”.

Ao longo de 2025, Tarcísio era justamente o nome preferido da maior parte da direita para disputar a Presidência contra Lula. Até integrantes do PL diziam que “na hora certa” conseguiriam emplacar seu nome junto a Jair Bolsonaro. O risco, afirmavam, era lançar alguém da família Bolsonaro que carregaria a rejeição do sobrenome e perderia para Lula. A eleição de 2026 seria a terceira consecutiva com um Bolsonaro representando a direita — duas delas com derrota. Mas Tarcísio foi rifado pelos filhos do ex-presidente.

Agora, com as fugas de Flávio e Eduardo para os Estados Unidos e o potencial enfraquecimento do clã, seu nome volta a circular como o de um líder capaz de unir a direita. “O protagonismo agora é do Tarcísio”, disse à coluna o pastor Silas Malafaia.

Com informações do portal UOL.

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