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Sessão da Tarde: ‘Que Horas Ela Volta?’ reacende debate sobre trabalho doméstico e desigualdade social
Termômetro da Política
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O clássico brasileiro “Que Horas Ela Volta?”, dirigido por Anna Muylaert e lançado em 2015, será exibido nesta segunda-feira (20), às 15h30, na Sessão da Tarde, da TV Globo. O filme, que conquistou público e crítica ao retratar as relações de poder e afeto no cotidiano de uma família de classe média alta e sua empregada doméstica, chega novamente à televisão aberta mais de nove anos após seu lançamento.

Regina Casé no papel de Val, uma empregada doméstica que vive há anos trabalhando para uma família tradicional em São Paulo (Foto: Divulgação)

Protagonizado por Regina Casé no papel de Val, a história acompanha uma empregada doméstica que vive há anos em São Paulo, trabalhando para uma família tradicional. Val mantém contato distante com a filha Jéssica, deixada no interior de Pernambuco. Quando a jovem decide vir para a capital em busca de vestibular, a dinâmica da casa é profundamente alterada, expondo tensões de classe, maternidade e hierarquia social.

O longa é frequentemente citado como um dos filmes mais importantes da cinematografia brasileira contemporânea por tratar, de forma sensível e crítica, das relações de trabalho doméstico no país. A figura da empregada, historicamente invisibilizada e submetida a condições precárias, ganha centralidade na narrativa, revelando como o afeto e a exploração muitas vezes se entrelaçam nesse tipo de vínculo.

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O filme dialoga diretamente com a realidade de milhões de trabalhadoras domésticas no Brasil, especialmente mulheres negras e nordestinas que migram para grandes centros em busca de emprego. A obra questiona o modelo de “família” construído sobre a desigualdade, onde a empregada é tratada quase como “da casa”, mas sem os mesmos direitos e reconhecimento.

“Que Horas Ela Volta?” foi um dos representantes brasileiros na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2016 e recebeu diversos prêmios internacionais, incluindo o do público no Festival de Sundance. No Brasil, o filme ajudou a colocar em evidência o debate sobre a regulamentação do trabalho doméstico e a persistência de relações laborais marcadas por assimetrias profundas.

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