Economia - -
Encolhimento do BC gera preocupação com supervisão de sistema financeiro que cresceu 50% em uma década
Termômetro da Política
Compartilhe:

Pressões crescentes de orçamento e pessoal estão reduzindo a capacidade do Banco Central de supervisionar um sistema financeiro que se expandiu significativamente nos últimos anos, especialmente após o colapso do Banco Master.

Selic está no maior nível desde julho de 2006
Número de funcionários do BC diminuiu 42% na última década, enquanto o número de instituições financeiras reguladas saltou 50% no mesmo período (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O número de funcionários do BC diminuiu 42% na última década, enquanto o número de instituições financeiras reguladas saltou 50% no mesmo período. Cerca de 17% dos 600 funcionários dedicados à supervisão já estavam aptos a se aposentar, e muitos estão deixando os quadros agora, temendo responsabilização por falhas relacionadas ao escândalo do Banco Master.

“Tudo tem de crescer na mesma proporção”, disse José Luiz Rodrigues, sócio-fundador da consultoria JL Rodrigues, especializada em regulação do sistema financeiro. “O sistema financeiro não funciona sozinho.”

Leia também
Casos Master e Carbono Oculto respingam na pré-campanha de Flávio Bolsonaro

A quebra do Banco Master foi provocada por investimentos em ativos ilíquidos e pouco comuns, além do uso de brechas regulatórias. A instituição não estava sob supervisão diária até o final de 2024, quando os investidores já demonstravam preocupação crescente com o balanço.

A falta de pessoal leva o BC a concentrar esforços nos maiores bancos do país. Isso desperta temores de que vulnerabilidades possam se desenvolver fora dos holofotes mais uma vez, como ocorreu com o Master.

O sistema financeiro brasileiro se expandiu de forma marcante nos últimos anos, impulsionado pela regulação mais amigável às fintechs e pela rápida adesão dos brasileiros a smartphones e tecnologia. O país tinha cerca de 900 instituições reguladas em janeiro, contra menos de 600 dez anos antes. Grande parte desse crescimento veio de instituições de pagamento e sociedades de crédito direto, modalidades que não existiam até a década de 2010.

O BC afirmou que parte importante da supervisão é feita hoje por meio de monitoramento remoto com uso intensivo de tecnologia. Isso permite que os funcionários se concentrem em questões que a tecnologia não consegue cobrir, como governança, estratégia e controles internos.

“Para tal sempre busca o aperfeiçoamento das técnicas e processos de trabalho e a incorporação de novas tecnologias, reforçando a efetividade da supervisão sobre as entidades que operam sob a regulação do Banco Central”, afirmou o regulador.

Compartilhe:
Palavras-chave
banco central