A decisão do ministro Alexandre de Moraes de suspender os efeitos da Lei da Dosimetria tem potencial para se transformar em um cavalo de Troia para a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O profundo desgaste do Supremo Tribunal Federal, que ultrapassa os limites da oposição e sua base eleitoral, fragiliza os posicionamentos do ministro e abre espaço para que o tema seja explorado politicamente.

Embora exista a possibilidade de Moraes transformar a questão em uma decisão mais simbólica, correntes internas no STF preferem deixar o processo seguir seu curso natural. A percepção é de que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não demonstrou prioridade clara no tema, tanto em discurso quanto na agenda junto ao Congresso.
O desgaste da Corte pode, indiretamente, favorecer Flávio Bolsonaro ao desviar o foco das denúncias envolvendo o senador Ciro Nogueira no caso Banco Master. Ao mesmo tempo, o embate replica um confronto que beneficiou Lula no ano passado, permitindo que o presidente se concentre em uma agenda social positiva — como o fim da escalada 6×1 e o Desenrola 2.0 —, somada à repercussão da foto com Donald Trump, enquanto a defesa da anistia aponta para o passado e não para o futuro.
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Se novos desdobramentos sobre o Banco Master acabarem sendo mais favoráveis ao Planalto, o cenário pode alimentar uma maré positiva para Lula. Por outro lado, a consolidação de Flávio Bolsonaro como um candidato forte amplia, a cada dia, os holofotes sobre suas movimentações e propostas, diferenciando-se de uma simples oposição no Congresso ou ataques ao PT.
No horizonte econômico, persiste uma percepção negativa, alimentada pela guerra no Irã e que ganhará novo componente nesta terça-feira com a divulgação do IPCA de abril.