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‘Vaza Flávio’ desmonta planos da direita para eleição presidencial
Termômetro da Política
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O caso Vaza Flávio, revelado pelo Intercept Brasil com áudios e mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, desorganiza os planos da direita e da ultradireita para as eleições presidenciais de 2026. As denúncias abrem espaço para nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Michelle Bolsonaro, mas a insistência da família Bolsonaro em manter um projeto centrado em laços de sangue pode complicar a construção de uma candidatura viável.

Votos dos presidenciáveis Romeu Zema, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado são mais frágeis
Presidenciáveis Romeu Zema, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado (Foto: Divulgação/Governo de Minas Gerais | Saulo Cruz/Agência Senado | Isac Nóbrega/PR)

A escolha de Flávio como candidato foi marcada por idas e vindas. Com Jair Bolsonaro inelegível, parte das elites políticas e econômicas sinalizava preferência por Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, que demonstrou alinhamento ao bolsonarismo em temas como segurança e saúde pública. Apesar de representar uma figura vista por muitos como moderada ou técnica, Tarcísio não convenceu o ex-presidente, que optou pelo filho.

A família Bolsonaro conseguiu transferir as intenções de voto do pai para Flávio, esvaziando, até o momento, alternativas costuradas por outros políticos do campo. Com o bom desempenho de Flávio nas pesquisas, Tarcísio se retraiu e as outras opções pareciam destinadas ao papel de coadjuvantes no confronto com Lula.

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A divulgação dos áudios, que mostram vínculos estreitos e comprometedores com Vorcaro, acusado de diversos crimes, muda o cenário. Flávio aparece em tom servil e amistoso ao cobrar milhões para o filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro. Embora os Bolsonaro tenham demonstrado resiliência em casos semelhantes, a prova agora é incontestável e facilmente replicável em mídias e campanhas.

Diante disso, ganham força as discussões sobre alternativas dentro do bolsonarismo. Com Tarcísio fora da disputa por ter perdido o prazo de desincompatibilização, surge Michelle Bolsonaro como nome mais forte, especialmente entre evangélicos e no voto feminino. Ainda assim, ela enfrenta resistência até mesmo entre os enteados.

Romeu Zema e Ronaldo Caiado teriam de construir campanhas competitivas nos próximos meses, avançando sobre a base bolsonarista. Não é tarefa simples, ainda mais com sinais de que Jair Bolsonaro prefere perder com os seus e manter a liderança da ultradireita do que ganhar com um aliado.

Algo semelhante acontece com Renan Santos, do Partido Missão, fundado pelo MBL. Ele aposta em discurso radical e imagem jovem, contrária a “tudo o que está aí”. Como observou um analista do cenário político, Renan “seria um Bolsonaro 2.0, com o imaginário militar sendo substituído pelo colete da XP do empreendedor”.

A rejeição a Lula existe e pode tornar competitivo quem conseguir reuni-la em uma coalizão. Há uma base social diversa que rejeita o atual presidente e outra, mais restrita, que questiona a Constituição. A política se define muitas vezes por movimentos rápidos e, ao contrário do que sugeriam as linhas editoriais majoritárias até anteontem, ainda há muito tempo até outubro. De todo modo, a quarta eleição de Lula para o Palácio do Planalto parece bem mais próxima do que anteontem.

Com informações do portal Intercept Brasil.

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