A nova pesquisa BTG Nexus voltou a colocar em evidência os altos índices de rejeição tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas analistas avaliam que esse cenário ainda não favorece o surgimento de uma terceira via competitiva nas eleições de 2026.

Segundo o levantamento, Lula registra 47% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 50%. Nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Joaquim Barbosa, por outro lado, ainda sofrem com elevados índices de desconhecimento por parte do eleitorado.
Leia também
Câmara e governo fecham acordo para transição de um ano na redução da jornada de trabalho
No programa Ponto de Vista, o colunista Robson Bonin e o cientista político Fábio Vasconcellos analisaram os dados e concluíram que, apesar do desgaste dos dois principais polos da disputa, o eleitorado ainda não demonstra disposição para migrar em massa para alternativas fora da polarização.
Bonin destacou que os níveis de rejeição se mantêm relativamente estáveis há meses. “A rejeição dos candidatos vai flutuando num patamar parecido há muitos meses”, afirmou. Ele comparou os números atuais com os registrados em março, quando Flávio Bolsonaro tinha 48% de rejeição e Lula, 49%. “Esse cenário se inverteu dentro da margem de erro”, observou.
Para o colunista, uma parcela significativa do eleitorado ainda não se dedicou a refletir sobre a próxima eleição presidencial. “Uma parcela significativa do eleitorado ainda não parou pra pensar de fato no que vai ser a campanha eleitoral”, disse.
Bonin avaliou que, no momento, a atenção da maioria dos brasileiros está voltada para questões econômicas imediatas. “A prioridade do eleitor no momento é sobrevivência”, afirmou. Segundo ele, muitas pessoas veem sua situação financeira como uma luta diária para fechar as contas do mês. “O foco é economia, o dia a dia, fechar as contas do mês”, completou.
Ele também ressaltou que existe um contingente relevante de eleitores que não se identifica fortemente nem com o lulismo nem com o bolsonarismo. “Tem uma parcela muito maior de eleitores que, a princípio, não tem conexão com essa polarização”, afirmou. Na avaliação dele, falta um discurso capaz de atrair esse grupo. “O que falta é um convite, um atrativo, um elemento, um discurso novo que chame a atenção do eleitorado”, disse.
Fábio Vasconcellos avaliou como remota a possibilidade de uma candidatura de terceira via se consolidar de forma competitiva. Segundo ele, o comportamento do eleitor nas últimas eleições indica que, na hora de votar, muitos optam pelo candidato com maior chance de derrotar aquele que rejeitam. “O eleitor tende a votar naquele candidato que é capaz de derrotar aquele que não é dos seus sonhos”, explicou.
O cientista político também ponderou que o alto desconhecimento de alguns nomes não representa necessariamente uma vantagem. “Quanto mais os candidatos são conhecidos, eles não são necessariamente conhecidos numa única direção positiva”, afirmou. Ele observou que Flávio Bolsonaro carrega não apenas o apoio associado ao pai, mas também parte da rejeição ao governo Jair Bolsonaro. “O Flávio carrega não só as intenções de voto do pai, como também a própria rejeição”, disse. “O que é conhecido é o nome Bolsonaro, é o governo Bolsonaro”, completou.
Vasconcellos avaliou que o governo Lula tenta, neste momento, melhorar sua imagem junto ao eleitorado por meio de medidas econômicas. “O governo Lula está com o ‘pacote de bondade’ nesse momento”, afirmou. Segundo ele, esses esforços podem começar a surtir efeito mais perceptível nos próximos meses. “Isso vai provavelmente gerar algum efeito em dois ou três meses”, avaliou.
Com informações do portal Veja.