Augusto Cury, candidato à Presidência pelo Avante, torrou pelo menos R$ 116 mil em 2026 para impulsionar publicações nas plataformas da Meta, como o Instagram. O levantamento feito a partir da biblioteca de anúncios da empresa indica que o ritmo subiu com a aproximação do pleito: só entre 25 e 31 de agosto foram R$ 43.926. O TSE autoriza esse tipo de propaganda paga na internet e veda o impulso de conteúdo negativo sobre rivais.

A estratégia privilegia jovens e eleitores do Sudeste e do Nordeste. Nas duas últimas Quaest, de 14 de agosto e 2 de setembro, Cury saiu de 2% para 10% das intenções de voto. Entre os mais jovens, foi de 1% para 14%, seu melhor recorte etário. No Nordeste, de 2% para 11%; no Sudeste e no Sul, de 2% para 10%; no Centro-Oeste e no Norte, de 3% para 7%.
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O maior investimento recaiu sobre um corte do primeiro debate presidencial, em 28 de agosto na Band, do qual participaram Cury, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não foram. Depois do confronto, o candidato ganhou visibilidade nas redes e nas buscas. Entre 14 e 27 de agosto, somou 1,8 milhão de seguidores, segundo o Instituto Democracia em Xeque.
Os valores da Meta batem com a prestação de contas no DivulgaCand, que cobre apenas gastos após o início oficial da campanha, em 16 de agosto. Cury informou ao TSE R$ 50 mil de impulsionamento em 20 de agosto; na janela de 25 a 31 de agosto, a biblioteca aponta R$ 43,9 mil. No intervalo de 30 de junho a 31 de agosto, a página de Lula gastou R$ 1,1 milhão. A de Flávio Bolsonaro não registra despesas na biblioteca. A Meta, questionada se o candidato do PL havia feito impulsionamento pago até 31 de agosto, disse reforçar o compromisso com a transparência e disponibilizar os detalhes na Biblioteca de Anúncios. A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu até a publicação.
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Após o registro oficial da candidatura, a fatia das impressões na faixa de 18 a 24 anos passou a cerca de 36% (19,3% mulheres e 16,5% homens). Os 25 a 34 anos ficaram com cerca de 32% (16,6% mulheres e 15,7% homens). Na pré-campanha, essa segunda faixa liderava, com cerca de 28%. Com o início da campanha, 35 a 44 anos caíram para 14,8% (7,6% mulheres e 7,2% homens) e 45 a 54 anos, para 8% (4% em cada sexo). A série comparativa aponta: 18–24 anos, 35,8% (eram 21,3% na pré-campanha); 25–34, 32,3% (28,4%); 35–44, 14,8% (19,6%); 45–54, 8% (13,9%); 55–64, 5,4% (10,4%); 65 ou mais, 3,5% (6,3%). Em outro recorte das faixas mais altas, 55 a 64 anos concentraram 7,7% das impressões (5,3% mulheres e 2,4% homens) e 65 anos ou mais, 4,7% (3,4% mulheres e 1,3% homens).
Geograficamente, o Sudeste, que tinha 44,1% das impressões na pré-campanha, recuou para 19,7%. O Nordeste saiu de 31,1% para 54,6%.
No vídeo mais impulsionado, Cury fala do casamento, da trajetória acadêmica e se apresenta como o “psiquiatra mais lido do mundo”. Diz querer usar “toda” a sua “experiência fora da política” e “chamar os melhores profissionais” porque o “Brasil merece desenvolver”. Fecha olhando para a câmera: “se você achar que eu mereço seu voto, faça um vídeo de apoio, porque furar essa bolha só depende de você”. A legenda afirma: “Um presidente não precisa ser o melhor em tudo. Precisa saber reunir os melhores”. “O Brasil também não será reconstruído por um salvador da pátria, mas por uma equipe competente, diversa e preparada para servir”. “Está na hora de colocar essa inteligência para trabalhar pelo país”.
No dia do debate, ele abriu live, anunciou cerca de 30 minutos antes que não participaria diante das ausências de Lula e Flávio Bolsonaro, entrou na emissora e, em seguida, voltou atrás e debateu.
A Quaest de quarta-feira (2), encomendada por O Globo e pela Globo, colocou Cury em terceiro, isolado, com 10%. Renan Santos tem 3%; Caiado, Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP), 1% cada. A margem de erro é de 2 pontos. Lula lidera com 37%; Flávio Bolsonaro tem 29%. Cury marca 14% entre jovens e 3% entre eleitores com 60 anos ou mais; 10% na faixa de 35 a 59. Regionalmente, 11% no Nordeste, 10% no Sudeste e no Sul e 8% no Centro-Oeste/Norte. Tem 9% entre mulheres e 11% entre homens; 15% no ensino superior, 13% no médio e 4% no fundamental.
Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da FGV, avalia que Cury “canibalizou” votos de quem se apresenta como alternativa à polarização. “Neste primeiro momento, a gente vê uma reorganização desse campo. O Cury atrai esse voto.”
Em agenda no Sebrae de Curitiba na segunda-feira (31), o candidato negou robôs e contratação de influenciadores para inflar o engajamento. “Eles que investiguem”, respondeu sobre suspeitas de outros partidos. “Nós investimos em torno de R$ 50 mil. Não tem história de robô. Na verdade, são milhões de pessoas que acreditam na pacificação e estão cansadas desta polarização insana”.
Com informações do portal g1.