A denúncia apresentada em 18 de agosto pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo inclui a Entre Investimentos, de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, entre as empresas que transferiram recursos à Quimicolor. Foram R$ 620 mil, identificados na quebra de sigilo de contas na BK Instituição de Pagamento, alvo da Operação Carbono Oculto. O documento não informa a data, quem pediu o crédito nem qual negócio justificaria o valor, e também não liga essa quantia às operações que Freixo confessou à PGR. Nem o empresário nem a Entre foram denunciados no processo do metanol.

Freixo firmou delação com a PGR na qual disse ter girado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para obter dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. Segundo o relato, as malas — de R$ 1 milhão a R$ 1,5 milhão — iam a Vorcaro, ao cunhado Fabiano Zettel ou a motoristas dos dois. O acordo foi assinado em 8 de agosto e enviado à homologação de André Mendonça, relator do caso Master no STF. O advogado Marco Petrelluzzi já afirmou que a confidencialidade impede comentários.
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Pela conta na BK, a Quimicolor recebeu R$ 25,84 milhões. Parte veio de postos, lojas de conveniência, transportadoras, empresas investigadas e pessoas jurídicas fictícias usadas para esconder quem pagava o metanol depois desviado para adulterar combustível. Registrada em Atílio Vivácqua (ES) e encerrada em 2025, a firma esteve no nome de dois moradores de Osasco sem vínculo aparente com o Espírito Santo e sem perfil econômico do ramo: um operador de máquinas com salário de R$ 2,7 mil e um profissional de manutenção e servente de obras. O Gaeco os descreve como “laranjas” e afirma que o negócio favorecia Admar de Carvalho Martins, o Dema, e outros investigados.
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Só em agosto de 2023 a Quimicolor deu entrada formal em 1,87 milhão de litros de metanol — 560.943 da GPC Química e 1.309.635 da Quantiq Distribuidora. O produto, segundo o MP, não ia à sede: seguia para postos, sobretudo na Grande São Paulo, para adulterar gasolina e etanol. Dos R$ 25,8 milhões movimentados na BK, R$ 15,4 milhões voltaram à GPC e R$ 7,7 milhões à Quantiq. Mensagens reproduzidas na denúncia mostram o CNPJ da Quimicolor como chave Pix de compradores. A estrutura, no relato do Gaeco, fingia aquisição regular por empresas químicas, com destino fiscal diverso do real.
A Quimicolor não é atribuída a Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, nem a Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Integra, segundo a peça, um núcleo comandado por Admar e Everton Felipe de Barros, o Soró. Beto Louco foi denunciado por financiar o grupo por empresas que controlava, em especial a Aster Petróleo, que teria enviado R$ 88 milhões à Ipê Combustível, outra firma apontada como fictícia na compra e no pagamento do metanol. O MP trata a organização do metanol como estrutura autônoma. Beto Louco é acusado de financiá-la, não de operar carregamentos, documentos ou destinação das cargas. Mohamad não foi denunciado nessa ação; o texto lembra que, em outra apuração, ele e Beto Louco já foram descritos como associados na gestão da Copape e da Aster e como comandantes de uma organização do setor de combustíveis com conexões com o PCC, sem identificá-los diretamente como integrantes da facção.
Na delação enviada ao STF, Freixo disse que os pedidos de espécie partiam de Vorcaro e, depois, de Zettel. Ele acionava três operadores, transferia a empresas por eles indicadas e estes obtinham o dinheiro no Brás, no Centro de São Paulo, e no setor de combustíveis. Uma das firmas usadas seria uma distribuidora já citada na Carbono Oculto. Os pagamentos saíam como contratos de mútuo com a Entre Investimentos. Freixo afirmou ficar com 1% e os operadores, com 4%. Entregou à PGR contratos, comprovantes, planilhas, conversas de WhatsApp, vídeos das malas e recibos das bagagens. A documentação vista pelo g1 não permite afirmar que a Quimicolor esteja entre as empresas da delação: o Gaeco a classifica como indústria química, não como a distribuidora mencionada no acordo.
Com informações do portal g1.