Oscar Schmidt, considerado o maior jogador da história do basquete brasileiro e um dos maiores do mundo, morreu nesta sexta-feira (17) aos 68 anos. O ex-atleta passou mal pela manhã e foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana, em Santana de Parnaíba, onde residia com a família. O motivo da morte não foi divulgado.

Oscar deixa a mulher, Maria Cristina, e os dois filhos, Filipe e Stephanie.
Conhecido como “Mão Santa” pela precisão nos arremessos, Oscar sempre rejeitou o caráter sobrenatural do apelido. “Não existe mão santa, existe mão treinada”, costumava dizer.
Sua trajetória o consagrou como um dos maiores nomes do esporte mundial. Ele integra o Hall da Fama do Basquete Naismith Memorial, da Federação Internacional de Basquete (FIBA) e do Comitê Olímpico do Brasil, além de ter sido incluído na lista dos 100 maiores jogadores de todos os tempos.
A camisa 14, número que escolheu em homenagem ao dia em que pediu a mão de sua esposa Cris em namoro, tornou-se símbolo de excelência nas quadras brasileiras.
Oscar disputou cinco edições consecutivas dos Jogos Olímpicos — Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988, Barcelona-1992 e Atlanta-1996 — e marcou 1.093 pontos, recorde olímpico que permanece até hoje. Ele também é o maior cestinha da história da seleção brasileira, com 7.693 pontos.
Um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira ocorreu nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis. Com 46 pontos na final contra os Estados Unidos, Oscar liderou a seleção brasileira à vitória por 120 a 115 e à medalha de ouro. Ao final da partida, deitou-se na quadra e cobriu o rosto com as mãos para esconder as lágrimas — imagem que se tornou um dos símbolos mais fortes do esporte nacional.
Oscar recusou propostas da NBA para continuar defendendo a seleção brasileira. Após ser draftado pelo New Jersey Nets em 1984 e receber interesse do Miami Heat após o Pan de 1987, ele optou por priorizar a camisa verde e amarela. “Foi uma decisão que eu nunca mudaria. Foi a decisão mais fácil que já tomei na minha vida. Jogar pela seleção é a coisa mais nobre que existe, é diferente. É representar um país inteiro, e isso é muito melhor do que jogar na NBA”, disse ele à EFE em 2019.
“Na NBA, você volta rico, mas na seleção você será famoso, e as pessoas tiram o chapéu para você. Isso não tem preço. Eu jogava de graça. Eu terminava a temporada inteira na Itália e vinha para seleção para jogar de graça”, completou.
Em 2017, Oscar pisou em quadra durante o All-Star Game da NBA, em Nova Orleans, participando do jogo das celebridades como homenagem do Brooklyn Nets.
Diagnosticado com câncer no cérebro em 2011, Oscar anunciou em 2022 que havia vencido a doença. “Ter curado o câncer para mim foi um negócio de outro planeta”, afirmou em entrevista ao Canal UOL em 2024. Ele creditou parte de sua recuperação a uma entrevista com o jornalista Roberto Cabrini e a um momento com o Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, em 2013.
Oscar nasceu em 16 de fevereiro de 1958, em Natal (RN). Começou no futebol, mas migrou para o basquete ainda jovem, influenciado pelo técnico Zezão. Aos 16 anos, mudou-se para São Paulo e iniciou a carreira no Palmeiras. Convocado para a seleção juvenil, estreou na seleção principal em 1977 e construiu uma trajetória vitoriosa.
Na Itália, onde atuou por 11 temporadas (oito pelo Juvecaserta e três pelo Pavia), marcou 13.957 pontos e tornou-se o primeiro jogador a ultrapassar 10 mil pontos no Campeonato Italiano. Passou ainda pelo Fórum Valladolid, na Espanha, antes de retornar ao Brasil.
Pelo Corinthians, conquistou o título brasileiro de 1996. Defendeu também Banco Bandeirantes, Mackenzie e Flamengo, onde se aposentou em 2003. Com a camisa rubro-negra, tornou-se, na época, o maior cestinha da história do basquete mundial, com 49.737 pontos — marca posteriormente superada por LeBron James.
Oscar conquistou três títulos sul-americanos e dois da Copa América pela seleção brasileira, além do ouro pan-americano de 1987. No Brasil, foi campeão brasileiro pelo Palmeiras, Sírio e Corinthians, entre outros títulos.
Com informações do portal UOL.