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Nutricionistas são proibidos de divulgar fotos de “antes e depois” em redes sociais; entenda
Termômetro da Política
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O Conselho Federal de Nutrição (CFN) proíbe a divulgação de imagens de “antes e depois” por profissionais da área, prática comum nas redes sociais que compara supostos resultados de protocolos dietéticos. A coordenadora da Comissão de Ética do Conselho Regional de Nutrição da 3ª região (CRN-3), Evie Grinberg Mandelbaum, explica que a profissão é regulamentada e exige registro ativo e obediência ao código de ética e de conduta, que tem força de lei.

Exemplo de "antes e depois", Fabiano, dupla de César Menotti, emagreceu 60kg
Exemplo de “antes e depois”, Fabiano, dupla de César Menotti, emagreceu 60kg (Fotos: Reprodução)

Segundo ela, essa prática “não representa a complexidade do cuidado nutricional”. “A profissão é regulamentada: para atuar, o nutricionista precisa ter um registro ativo e obedecer ao código de ética e de conduta, que tem força de lei”, afirma. Evie destaca que o foco do nutricionista está na prevenção de doenças, auxílio em tratamentos e promoção da saúde, com mais de 30 especialidades reconhecidas, incluindo oncologia, cardiologia e esporte.

A nutricionista e criadora de conteúdo Monique Fonseca observa que a linha entre mostrar eficácia e prometer resultados é tênue. “A linha é tênue” no que diz respeito à divulgação de fotos de antes e depois, pois, se de um lado mostra suposta eficácia de um método, também promete resultados semelhantes a quem se consultar com o mesmo profissional. Isso pode promover a percepção de competição e gerar a sensação de fracasso a quem não alcançar mudanças estéticas visíveis e extremas.

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O nutricionista e criador de conteúdo Luís Castello defende que o trabalho pode ser demonstrado sem comparações ou reforço de padrões estéticos. “Gosto de compartilhar conquistas relatadas pelos meus pacientes: ‘estou consumindo mais frutas’ ou ‘meus exames melhoraram’”, diz.

Sobre dietas restritivas, Evie esclarece que não há proibição quando há pertinência clínica e evidência científica. “O ponto é a pertinência clínica e a evidência científica para que qualquer conduta ocorra”, explica.

O CFN apura denúncias contra profissionais. “O foco não é punir o profissional, mas proteger a população e preservar a integridade da profissão. Orientamos muitas vezes antes de medidas drásticas”, afirma Evie. Em casos mais graves, após julgamento, pode haver cassação ou multa.

Na última semana, o CFN divulgou alterações no Código de Ética que proíbem o uso de inteligência artificial generativa para simular imagens de pessoas reais ou resultados clínicos. As mudanças entram em vigor a partir de junho.

Comentários de nutricionistas na publicação do CFN no Instagram revelam divergências internas na categoria. Luís Castello, que não utiliza recursos de IA, avalia que algumas mudanças previstas são muito restritivas. “Acho que o Conselho é, sim, falho na fiscalização dos profissionais registrados”, diz.

Monique Fonseca aponta um desequilíbrio: “Enquanto toda a classe luta para divulgar nutrição baseada em evidência respeitando o código de ética, influenciadores de dieta da moda enriquecem ao atuar como nutricionista sem registro ou código, apenas com o benefício do lucro”.

Com informações da Folha de S.Paulo.

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