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Polícia Civil de SP pede quebra de sigilo financeiro contra produtora do filme Dark Horse
Termômetro da Política
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A Polícia Civil de São Paulo solicitou à Justiça o acesso a dados financeiros sigilosos de Karina Ferreira da Gama, responsável pela produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, e também do Instituto Conhecer Brasil, entidade presidida por ela. O pedido integra as investigações sobre suspeitas de superfaturamento e desvio de recursos públicos no contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para o programa WiFi Livre SP.

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Investigação aponta que empresas subcontratadas e organizações sociais teriam sido utilizadas para movimentação dos recursos (Foto: Divulgação)

O delegado Antonio Carlos Manuera Silveira requisitou relatórios de inteligência financeira produzidos pelo Coaf, com foco em “movimentações atípicas e comunicações de operações suspeitas” ligadas ao CPF de Karina e ao CNPJ do instituto. O documento inclui ainda a decretação de sigilo sobre essa etapa das investigações.

De acordo com o ofício encaminhado à Justiça, os investigadores suspeitam que recursos públicos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para financiar a produção do longa-metragem “Dark Horse”. O documento cita “consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa ‘WiFi Livre SP’ tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme”.

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A investigação aponta que empresas subcontratadas e organizações sociais administradas por Karina teriam sido utilizadas para movimentação dos recursos. A polícia sustenta que há “indícios materiais contundentes” de irregularidades na execução do contrato.

Outro ponto levantado pelos investigadores é a suposta falta de capacidade técnica do Instituto Conhecer Brasil para operar o serviço contratado pela prefeitura. O delegado afirma que o valor cobrado pelo instituto, de R$ 1.800 por ponto de conexão, estaria acima do praticado no mercado.

A apuração considera suspeito o pagamento antecipado de R$ 26 milhões por serviços ainda não executados. Para a Polícia Civil, a antecipação “pode evidenciar o desvio de finalidade na aplicação do dinheiro público municipal”.

“Diante disso, o rastreamento do fluxo financeiro é o único meio capaz de descortinar a destinação final das verbas recebidas pelo Instituto Conhecer Brasil e repassadas de forma suspeita a empresas subcontratadas e às contas pessoais da investigada Karina Ferreira da Gama”, diz outro trecho do documento policial.

O filme “Dark Horse” aborda a trajetória política de Jair Bolsonaro, com destaque para o atentado sofrido durante a campanha presidencial de 2018. A produção ganhou projeção após revelações envolvendo seu financiamento. O portal The Intercept Brasil informou que o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, teria repassado R$ 61 milhões para o longa-metragem. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, admitiu ter solicitado apoio financeiro ao empresário, mas negou qualquer irregularidade.

A Polícia Federal também investiga se parte dos recursos relacionados ao filme teria sido utilizada para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.

Até o momento, a defesa de Karina Ferreira da Gama não se pronunciou sobre o novo pedido da Polícia Civil. Em manifestações anteriores, ela negou que o filme tenha recebido recursos públicos ou privados de empresas brasileiras e afirmou que a contratação junto à Prefeitura de São Paulo ocorreu de forma regular. Karina também sustentou que não existe ligação entre o contrato do WiFi Livre SP e a produção cinematográfica. O inquérito policial foi instaurado no fim de 2025 após denúncias sobre possíveis irregularidades na contratação.

Em nota, a gestão Ricardo Nunes afirmou que “não identificou nenhuma irregularidade nos serviços prestados” pelo Instituto Conhecer Brasil até o momento. A prefeitura informou ainda que, às 15h17 desta quinta-feira (28), havia 3.161 pontos ativos e 39 off-line entre os 3.200 pontos contratados.

“Obviamente, se for identificada qualquer irregularidade na investigação, que contará com total apoio da administração, as providências serão tomadas”, declarou a administração municipal.

Com informações do portal Brasil 247.

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