O programa Move Brasil, que entra em vigor nesta sexta-feira (19), permite que taxistas e motoristas de aplicativo financiem veículos zero-quilômetro com juros reduzidos, por meio de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões. No entanto, a aprovação pelo governo é apenas a primeira etapa. A análise de crédito feita pelos bancos é considerada o principal obstáculo para a maioria dos interessados.

Especialistas consultados alertam que, mesmo com a elegibilidade confirmada pelo governo, os critérios rigorosos das instituições financeiras costumam ser o ponto onde as propostas são recusadas. A seguir, confira orientações práticas para aumentar as chances de aprovação.
A etapa de análise do governo é feita por meio do Gov.br e exige cadastro ativo há pelo menos 12 meses na mesma plataforma, além de um mínimo de 100 corridas no período. Segundo o consultor financeiro Ricardo Hiraki, é fundamental evitar mudanças de aplicativo às vésperas do pedido, pois o governo cruza diretamente essas informações com as plataformas.
Para taxistas e cooperados, a recomendação é manter a licença ativa e os impostos em dia. “É um filtro de elegibilidade profissional, não de capacidade financeira”, explica Hiraki.
Ter o nome limpo é um dos requisitos mais importantes na análise bancária. Os especialistas recomendam consultar o CPF no Serasa e no Boa Vista com antecedência. Caso existam restrições, é aconselhável quitá-las ou negociar um parcelamento antes de solicitar o financiamento.
“Consulte seu CPF no Serasa e no Boa Vista. Se houver qualquer restrição, mesmo que pequena, quite ou faça um acordo de parcelamento”, orienta o contador Franz Petrucelli. Evitar novos empréstimos e não estourar o limite do cartão de crédito nos meses que antecedem o pedido também são medidas recomendadas.
Como a renda dos motoristas de aplicativo e taxistas é variável, os bancos tendem a ser mais criteriosos. Para fortalecer a análise, é recomendável apresentar relatórios de ganhos dos últimos três a seis meses extraídos diretamente dos aplicativos, extratos bancários da conta onde os repasses são recebidos e a declaração mais recente do Imposto de Renda.
Concentrar todos os recebimentos em uma única conta bancária ajuda a demonstrar estabilidade financeira. “Receber sempre na mesma conta e guardar os extratos das plataformas funcionam como prova de renda”, afirma Hiraki.
A chance de aprovação costuma ser maior na instituição financeira com a qual o motorista já tem vínculo. Bancos parceiros do programa cruzam dados históricos da conta, o que pode facilitar a análise.
“Movimentar a conta com os recebimentos das corridas aumenta as chances de aprovação”, destaca o consultor.
A parcela do financiamento não deve comprometer mais do que 25% a 30% da renda líquida mensal. É importante calcular essa renda com base na média real de ganhos, já descontados combustível, manutenção e dias sem trabalho.
Além disso, muitas instituições devem exigir uma entrada significativa, próxima de 30% do valor do veículo. Em um carro de R$ 100 mil, por exemplo, isso representaria cerca de R$ 30 mil.
Na hora de avaliar as propostas dos bancos, o mais importante não é apenas o valor da parcela, mas o Custo Efetivo Total (CET), que inclui juros, tarifas e seguros. Comparar o Move Brasil com outras opções de financiamento ou mesmo com o aluguel de veículos também é recomendado antes de fechar o contrato.
Após conseguir o crédito, é fundamental tratar a parcela como um custo fixo prioritário. Os especialistas recomendam manter uma reserva equivalente a três a seis parcelas para períodos de menor demanda e separar mensalmente valores para IPVA, seguro e manutenção.
“A principal recomendação é encarar o financiamento como uma decisão de negócio. Mais importante do que conseguir a aprovação é garantir que o crédito seja sustentável e compatível com a realidade financeira do motorista”, afirma André Bobek, CEO da Mhydas Planejamento Financeiro.
Com informações da CNN.